Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 14/10/2021

No filme americano “O Diabo Veste Prada”, a protagonista é uma estagiária de uma grande empresa de moda e vive, diariamente, humilhações e tratamentos exploratórios vindos de sua chefe. De maneira análoga à ficção, a realidade brasileira é intensamente marcada pelo assédio moral no ambiente de trabalho. Assim, é essencial identificar as causas para esse problema e sua consequências na vida dos empregados que sofrem com essas situações.

Diante disso, é essencial mencionar que é comum o aproveitamento da relação de hierarquidade no amiente de trabalho para explorar trabalhadores de cargos menores. Isso posto, assim como no filme mencionado, os chefes adquirem uma noção de superioridade aos demais empregados e se sentem no direito de usarem de comportamentos abusivos que atentam contra a dignidade psíquico-emocional dos demais trabalhadores. Segundo Michel Foucault, o poder articula-se em uma linguagem que cria mecanismos de controle e coerção e, de acordo com essa máxima, os trabalhadores, expostos a situações de vexame e a exigências desproporcionais, acabam impactados por esse intenso assédio moral e, por consequência, são coagidos a isolar-se na esfera laboral ou, até mesmo, a pedir demissão.

Nesse seguimento, o assédio moral trabalhista acaba impactando não apenas dentro do ambiente laboral, na produtividade do indivíduo, mas também, na vida privada da vítima. Desse modo, os  brasileiros passam, em geral, muito mais do que 8 horas envolvidos com trabalho e, além da sobrecarga física, acabam com sua saúde mental debilitada, prejudicada. Assim, o ambiente de trabalho é precursor de muitas doenças mentais, como a depressão e a ansiedade, além de, com o incremento do assédio moral devido à baixa inspeção dos órgãos trabalhistas, os efeitos na vida do indivíduo podem ser ainda mais drástiscos, levando, anualmente, muitos brasileiros ao suicídio motivado pelas relações exploratórias e humilhantes no trabalho.

Dado o exposto, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, é de responsabilidade do governo garantir o pleno bem-estar do cidadão. Portato, visando a melhoria das relações de trabalho, o Ministério Público Federal, responsável em garantir os direitos coletivos e individuais, deve, por meio da criação de um departamento específico para questões de assédio moral no ambiente de trabalho, fiscalizar regularmente as empresas brasileiras e disponibilizar uma  central de denúncias para que as vítimas não fiquem desamparadas. Sendo assim, espera-se conservar relações trabalhistas harmônicas no país.