Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 20/10/2021

No filme “O Diabo Veste Prada”, de 2006 acompanhamos a trajetória de uma estagiária em seu novo emprego em uma revista de moda. No decorrer da narrativa, os comportamentos abusivos de sua chefe tomam, aos poucos, conta de sua vida pessoal e influenciam o comportamento da nova empregada. Ao final do drama, Emily percebe como o assédio e o abuso de sua chefe afetaram sua vida e de seu namorado e amigos. Assim como a protagonista, diversas pessoas encontram-se em situação de assédio moral no trabalho tanto por não identificarem-no, quanto por receio de perder seu sustento.

A priori, para combater essa prática nociva é preciso identificar suas sutilezas. Em muitos casos a desmoralização do funcionário é encarada pelos seus parceiros como: uma implicância passageira, um “mau humor” ou até traços comuns da personalidade do agressor. Por conseguinte, a vítima passa a acreditar, pelo chamado efeito manada, designado pelo psicólogo econômico Dan Ariely, que os abusos sofridos são consequências de seu comportamento supostamente inadequado ou por não se encaixar no “perfil da empresa”.

A posteriori, somente a identificação não basta, pois em muitos casos a vítima avalia o abuso como menos prejudicial que a saída do emprego. Tanto o advindo da pandemia, quanto a derrocada econômica sofrida pelo Brasil nos últimos tempos, criaram o temor do desemprego sobre a classe operária. Sem auxílios significativos, aumento constante dos preços dos materiais básicos de sobrevivência, o assédio no trabalho ganhou força uma vez que não só o funcionário sabe da necessidade do emprego, como seu chefe também.

Destarte, para combater o assédio moral é necessário intervenção sobre os fatores que o agravam. Desse modo, garantir o bem estar do funcionário após a denúncia de assédio por meio de auxílio financeiro e jurídico dados pelo Estado. Em suma, esse suporte culminaria em uma maior identificação do abuso por parte das vítimas e incentivariam a denúncia dessa prática, tornando mais horizontal a relação entre chefe e funcionário.