Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 16/11/2021

O “Mito da caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao assédio moral no trabalho, visto que mais da metade dos profissionais brasileiros pratica ou tolera assédio em seu ambiente de trabalho, conforme levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa do Risco Comportamental. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a lenta mudança na mentalidade social e a falta de conhecimento.

Primeiramente, é preciso salientar que a lenta mudança na mentalidade social é uma causa latente do problema. Segundo o sociólogo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do assédio moral no trabalho é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que há uma ideia equivocada, por parte dos detentores do poder, de que para alcançar uma organização do trabalho produtiva e lucrativa deve-se adotar posturas utilitaristas e manipuladoras através da gestão sob pressão. Dessa maneira, nota-se que o assédio praticado por superiores hierárquicos torna-se frenquente no ambiente de trabalho, realidade alarmante que dificulta a resolução do problema.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a falta de conhecimento. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Diante disso, se as pessoas não têm acesso às informações sobre os mecanismos de combate e prevenção de assédio moral no trabalho, sua visão será limitada. Desse modo, para que esse abuso seja combatido, é necessário que haja discussão sobre como identificar e denunciar os casos de violência psicológica no ambiente de trabalho. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a importância das relações interpessoais no ambiente de trabalho serem saudáveis para o aumento da produtividade, bem como orientem a identificar e denunciar casos de assédio moral no trabalho. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e dos profissionais da área jurídica. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama preocupante e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.