Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 21/10/2021
No filme “O Diabo Veste Prada”, a personagem principal começa a trabalhar em uma nova revista e, desde então, se torna alvo de diversas condutas abusivas decorrentes da diferença hierárquica, o que a faz repensar sua permanência na empresa. Analogamente, na sociedade brasileira, muitos trabalhadores são vítimas de ofensas no espaço de trabalho e não encontram vias para sua defesa. Dessa maneira, percebe-se como a insegurança socioeconômica e o individualismo configuram a manutenção da cultura do assédio moral no país.
Pode-se mencionar, em primeira análise, que mesmo presentes no artigo sexto da Constituição Federal de 1988, o direito ao trabalho, à saúde e à segurança não garantem diretamente o bem-estar dos funcionários. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o índice de desemprego no primeiro semestre de 2021 atingiu o maior patamar desde o início das medições – 14,7% da população. Nesse contexto, quando o contratado vê-se em uma situação degradante, encontra-se no impasse entre permanecer no ambiente danoso ou retornar à instabilidade da procura de empregos – dilema o qual lhe trará desafios para lidar em ambas as situações.
Em paralelo, é notória a presença do individualismo como base da problemática. Sob esse viés, o filósofo Zygmund Bauman afirma que a sociedade é extremamente individualista. Dessa maneira, a afirmação de Bauman relaciona-se na conjuntura da violência psicológica no sistema trabalhista, a partir do momento em que os empregadores sobrecarregam os empregados, endereçando excessivas quantidades de tarefas a apenas uma pessoa e sujeitando-a à humilhação perante a equipe. Dessa forma, a falta de empatia pode trazer transtornos psicológicos e ansiedade a quem trabalha no local.
Faz-se necessário, portanto, com o intuito do fortalecimento da estabilidade laboral dos indivíduos, que o Ministério da Economia, em parceria com o Ministério da Saúde, promova a destinação de uma parcela da verba do Plano Nacional à um curso de capacitação de profissionais, para que esses possam realizar atendimentos psicológicos gratuitos às vítimas de abuso. Feito isso, a realidade vivida pelos brasileiros e apresentada no filme “O Diabo Veste Prada” poderá permanecer somente nas telas dos cinemas.