Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 24/10/2021

No enredo do filme “O Diabo Veste Prada”, Andy é a recém-contratada em uma revista de moda. Todavia, mesmo contente com seu cargo, a protagonista vive na constante indagação entre sucumbir ao seu anseio de permanecer na empresa ou pedir demissão. Tais dúvidas surgem em detrimento das torturas mentais que sua chefe realiza. Além disso, fora desse cenário fictício, observa-se uma conjuntura equivalente, aonde o assédio moral e psicológico tem se tornado presente na pluralidade das organizações empresariais. Em síntese, visualizam-se as falhas nos devidos cumprimentos dos direitos trabalhistas, além de expor a precariedade do sistema educacional em estruturar indivíduos psicologicamente capazes de liderar.

A priori, é explícito na Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948, o direito às condições laborais justas e favoráveis. Entretanto, os direitos supracitados apresentam deploráveis condições em diversas empresas brasileiras, uma vez que, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de três mil denúncias de abusos trabalhistas foram realizadas em 2015, sendo que apenas 20% desses seguiram para investigação. Outrossim, constata-se que apesar da existência de leis que amparem os trabalhadores, ainda permanece a ausência de fiscalização em averiguar o cumprimento das normas, concomitante com a dificuldade comprobatória da veracidade dos casos. Dessa forma, estrutura-se uma legislação falha aliada ao descaso governamental.

A posteriori, foi explanado pelo pedagogo Paulo Freire, ao dissertar sobre métodos de ensino, que, quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é se tornar o opressor. De maneira análoga, a frase expõe a falta de discernimento na estruturação do sistema de ensino aonde se adotam métodos rígidos e academicistas, que estimulam indivíduos a se tornarem líderes autoritários e evasivos. Ademais, essas condições incitam a pressão psicológica sofrida e praticada no ambiente de trabalho, prorrogando ações abusivas.

Destarte, cabe ao governo brasileiro promover ações que melhorem as condições citadas. Em primeiro ponto, é dever do Ministério da Educação promover mudanças nas diretrizes educacionais pautadas nos Direitos Humanos, empatia e solidariedade, desde a alfabetização. Assim como, o Ministério do Trabalho deve se aliar às mídias sociais como forma de criar campanhas digitais através de postagens nos meios virtuais, que incentivem as denúncias de práticas abusivas sofridas no ambiente de trabalho, além de criar um canal de comunicação que auxilie as vítimas em denunciar tais atos. Somente assim, a qualidade de vida no âmbito laboral será ascendida.