Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 09/11/2021
Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca dos desafios que ainda existem em relação ao combate ao assédio moral no trabalho. Nessa perspectiva, verifica-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de alteridade laboral e da inobservância estatal; fatos que devem ser analisados a fim combater esse problema em prol da plena harmonia social.
Primeiramente, constata-se que a sobreposição de interesses particulares encontra terra fértil na persistência do assédio moral em ambientes de trabalho. Isso é observado, uma vez que as pessoas ao redor da vítima, muitas vezes, mesmo presenciando tal abuso de perto, não tomam nenhuma atitude a fim de coibir ou reprimir o assediador, seja por medo das consequências que podem vir a partir de uma denúncia - como demissões e aumento do quadro de assédio- , seja por pura falta de empatia. Analogamente, na obra “Cegueira moral”, o sociólogo Zygmunt Bauman relata a dificuldade dos cidadãos em enxergar realidades distintas das próprias, fato que reforça mazelas existentes nas relações interpessoais. Diante disso, pode-se pontuar que a visão de Bauman é legitimada pela passividade coletiva em relação à problemática, o que faz com que atitudes abusivas, como essas, sejam enraizadas na sociedade, trazendo, consequentemente, disturbios psicossociais ás vítimas.
Ademais, cabe analisar que o abuso moral dentro das empresas deriva, ainda, da baixa atuação de setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Nessa lógica, de acordo com o pensamento do filósofo John Locke, os indivíduos confiam suas necessidades ao Estado, que, em contrapartida, deve - ou deveria- garantir direitos básicos aos seus membros como forma de estabilidade social, para que os mesmos possam viver e trabalhar de maneira harmônica. Entretanto, no Brasil, observa-se justamente o contrário, uma vez que a escassez de ações e projetos que abordem o tema, somados à ausência de políticas públicas eficientes – à exemplo de propagandas e canais de denúncia anônima- contribui para que a ideia seja pouco difundida em âmbito familiar e, principalmente, laboral, o que dificulta a resolução desse impasse.
Portanto, medidas são necessárias para combater o abuso moral em ambiente de trabalho. Para isso, o governo federal, juntamente com o Ministério do Trabalho, por meio de verbas governamentais, deve criar propagandas de incentivo à denúncia para serem exibidas em programas de rádio e televisão em horários de grande audiência, com o objetivo de conscientizar a população acerca de tal problemática e torná-los menos passivos em relação a necessidade de expor o assediador. Adicionalmente, criar multas severas que devem ser aplicadas às empresas que forem denunciadas. Com isso, os casos de abusos morais serão atenuados e o ambiente corporativo se tornará mais harmônico.