Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 16/11/2021

Na série de TV norte-americana Grey’s Anatomy, as personagens, iniciantes no campo da medicina, são tratadas com desrespeito e abuso de autoridade por seus superiores. Fora da ficção, esse comportamento é recorrente em diversas áreas do trabalho, e, além de ser causado por sujeitos imersos em individualidade, é responsável por gerar, às vítimas, adversidades como transtornos mentais. Portanto, buscar maneiras de combater o assédio moral no trabalho é crucial.

Sob um primeiro viés, cabe destacar que a causa dessa problemática justifica-se pelo individualismo presente nos atuais dias. Nesse sentido, é competente expor que, de acordo com o intelectual Zigmunt Bauman, a chamada “Modernidade Líquida” é caracterizada pela fragilidade nas relações interpessoais contemporâneas, que substituem a ideia de coletividade, e adotam o individualismo. Depreende-se então, que, analogamente ao filósofo, as relações trabalhistas baseiam-se em comportamentos narcisistas, nas quais indivíduos, hierarquicamente mais altos, sentem-se no direito de assediar moralmente seus empregados. Por conseguinte, ao se considerar que as relações na esfera do trabalho se caracterizam pela falta de integração e socialização, um ambiente laborioso composto por senso coletivo torna-se inalcançável. Nessa lógica, nota-se que esse cenário urge por mudanças.

Ademais, é relevante pontuar as consequências provocadas às vítimas por atos de assédio. Diante disso, é válido mencionar que, de acordo com a Constituição Federal de 1988, todos indivíduos são dignos de acesso à saúde e ao bem-estar social. Contudo, tal teoria apresente enormes disparidades com a realidade, uma vez que a estabilidade mental de funcionários é comprometida diante de casos de xingamentos vindos de sujeitos hierarquicamente superiores. Tal cenário é preocupante, pois pode causar, aos sofredores, enfermidades psicológicas como depressão e ansiedade, que impossibilitam a formação de um conjunto trabalhista apto para atividades coletivas. Logo, a necessidade da tomada de medidas para a mudança desse panorama é nítida.

Portanto, nota-se que combater o assédio moral no mercado de trabalho é fundamental. Logo, compete aos comandantes de negócios, por meio da organização de eventos, promoverem reuniões que envolvam a socialização de servidores e patrões, para que, sem distinção de cargos de trabalho, haja a miscigenação entre funcionários. Além disso, compete ao Governo Federal, ente de reconhecida autoridade, exigir nas empresas do país a presença de profissionais da área da psicologia -por meio da integração desse requisito no conjunto de Direitos Trabalhistas-, para que haja o acompanhamento psicológico de todos funcionários, e a saúde mental seja posta como prioridade. Tomadas tais atitudes, o Brasil irá atingir um patamar caracterizado por boas relações entre trabalhadores.