Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 15/11/2021
“O Brasil é um país do futuro”, uma obra publicada pela primeira vez em 1941 pelo escritor austríaco Stefan Zweig é um grande retrato do país sobre a ótica de um estrangeiro, na qual o autor retrata suas expectativas de avanço para o futuro. No entanto, quando se observa a questão do assédio moral no trabalho, identifica-se que o presságio não saio da teoria. Ademais, a falta de informação e mobilização social são agravantes da situação.
Em primeiro plano, é preciso destacar a falta de informação como óbice nessa problemática. Segundo o conceito de “Ação Coletiva” definido pelo filósofo Jurgen Habermas, para que as pessoas tenham capacidade de defender seus interesses e demonstrar o que acha melhor para a comunidade ela precisa obter ampla informação prévia sobre o assunto. Nesse âmbito, é notável que a falta de informações divulgadas pelo Ministério do Trabalho sobre como denunciar ou buscar ajuda após a ocorrência de assédio moral faz com que cada vez mais pessoas sejam vítimas dessa situação hedionda. Como resultado, o aumento de relatos de indivíduos que sofrem com eventos de humilhação, constrangimento e excesso de trabalho tem sido cada vez maior na sociedade. De acordo com, dados divulgados pelo MPT (Ministério Público do Trabalho), entre 2015 e 2019 foram registradas cerca de 35 mil acusações de assédio moral. Dessa forma, e fundamental a alteração do quadro de desinformação para evitar maiores riscos futuros.
Além disso, a ausência de mobilização social é outro agravante da situaçao. A filósofa Hannah Arendt criou o conceito de “Responsabilidade Coletiva”, em que todos os titulares são responsáveis pelo que o Estado faz ou não em seu nome. Nessa lógica, se o tecido social está estabilizado diante dos problemas socioculturais, a naturalização desse desafio é inevitável. Depreende-se, dessa maneira, que não depende apenas de ações governamentais, mas também da população fazer com que o assédio moral seja de responsabilidade coletiva como proposto pela filósofa.
Entende-se, portanto que os efeitos do assédio moral são circunstâncias nocivas carecedoras de solução. Sendo assim, cabe ao Ministério do Trabalho, órgão de fundamental importância na fiscalização trabalhista do país, promover a divulgação contínua de meios de comunicação como disque denúncia onde os cidadãos que passarem por algum tipo de assédio no trabalho possam realizar a denúncia e buscar ajuda, a fim de que todos tenham as informações necessárias de como agir após o ocorrido para que sejam tomadas as medidas cabiveis. Com essas providências, será possível que a sociedade saiba se defender e demontrar seus interesses como proposto pelo filósofo Jurgen Habermas.