Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 19/11/2021
O quadro expressionista “O Grito”, do pintor noroeguês Edward Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados por assédio no ambiente de trabalho é, amiduamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência estatal e o exacerbado capitalismo.
A princípio, é imperioso notar que a negligência do Estado potencializa este cenário. Pois, mesmo com a implementação de diversas leis trabalhistas ao longo dos anos, diversas delas ficam restritas ao “papel”, não ocorrendo reais aplicações e fiscalizações das mesmas. Sob essa ótica, á baixa atuação das autoridades, muitos trabalhadores ficam a mercê de seus contratantes e susceptivéis a tais atos.
Outrossim, é igualmente preciso apontar que o sistema altamente capitalista no qual somos inseridos contribui para a manutenção de comportamentos hostis e abusivos neste ambiente. Visto que, este sistema é impulsionado pelo lucro á todo custo, fomentando a competitividade e objetificando a mão de obra.
Portante, é preciso que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Dessarte, a fim de combater esses abusos o poder Judiciário e o Ministério do Trabalho por intermédio da criação de centrais fiscalizadoras, que possuam canais de denúnicas anonimas para as vítimas, averiquem e apliquem multas nos locais onde forem constatados tais agravantes. Além disso, uma parcela do valor arrecadado com as multas, deve ser destinados para ações educativas, como oficinas que trabalhem relações harmônicas e empáticas no ambiente de trabalho. Somente assim, o sofrimento retratado por Munch, ficará delimitado apenas no plano artístico.