Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 19/11/2021

“A moral e a ética são duas invenções humanas que dependem muito do espaço geográfico que você ocupa.” Citando a frase do poeta Augusto Branco e reconhecendo a importância que um ambiente de trabalho seja fundando em uma cadeia de respeito entre as pessoas, é notório que o assédio moral deve ser amplamente combatido. Por ser considerado para muitos uma segunda casa, sofrer constrangimentos e perseguições afeta diretamente a vida profissional e pessoal do funcionário. Nesse sentido, é necessário analisar tal quadro, ligado intrinsecamente à liderança autoritária e à carência informacional.

Em primeiro plano, sobre o assédio moral no trabalho, deve-se enfatizar que de acordo com o levantamento feito pelo Tribunal do Trabalho (TST), o assédio moral foi a denúncia mais feita no país nos últimos 10 anos. Nesse viés, a cultura da liderança autoritária que se encontra em boa parte das empresas é um dos principais motivos que alicerça esse dado, ações errôneas que os superiores acometem os seus subordinados. Desse modo, são muitos os patrões que confundem a ação de liderar com a de impor, como a exposição de pessoas a situações humilhantes e constrangedoras no ambiente de trabalho, de forma repetitiva e prolongada, no exercício de suas atividades, criando um ambiente nada agradável para o indivíduo, podendo levar a um pedido de demissão.

Ademais, a carência informacional da sociedade em saber no que se enquadra essa prática e seus devidos direitos, dão ainda mais liberdade aos praticantes desse crime. Com isso, encontram-se trabalhadores leigos e sem referência sobre esse assunto, pois, como são poucas as empresas que falam abertamente sobre o assunto, os funcionários ficam sem ter conhecimento que certos tipos de comportamento em um ambiente de trabalho não são aceitáveis e podem ser passiveis de punição, mesmo vindo de um superior. Por exemplo, a cobrança excessiva de metas inatingíveis que empresas impõem aos seus funcionários, apesar de muitos levarem como algo corriqueiro, podem ser consideradas até ilegais perante a lei, porém, a desinformação camufla essa prática de assédio.

Pode-se perceber, portanto, que medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário. Assim sendo, o governo federal, por meio do Ministério Público do Trabalho, deve lançar o Plano Nacional do Combate ao Assédio Moral, criando regras a serem seguidas por todas as corporações ao trato de como agir com ética e respeito entre as camadas hierárquicas. Dessa forma, precisa impelir que todas as empresas disponibilizem um departamento para esse fim e que atue de forma autônoma, levando informação, treinamento e que disponibilize um canal para denúncias, de modo a levar conhecimento e apoio a todos que sofrem com esse tipo de crime por todo o país.