Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 20/11/2021

O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, o assédio moral no trabalho, amiudadamente, assemelha-se ao ilustrado pelo artista. Nesse sentido, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a inexistência de disciplinas socioemocionais nas escolas e os interesses pessoais do assediador

Em primeiro lugar, é preciso apontar a educação, nos moldes predominantes do Brasil, como um fator determinante na manutenção do impasse. Posto isso, é lícito relembrar a obra “Pedagogia da Autonomia”, do educador brasileiro, Paulo Freire, a medida que ele enfatiza a importância das escolas em incentivar não só o conhecimento técnico-científico, mas também as habilidades socioemocionais, como respeito e empatia. Sob esse viés , o abuso moral no trabalho exemplifica os impactos da falta desse aprendizado, uma vez que essa ação pode causas danos irreversíveis na vítima, como, por exemplo, medo de exercer sua função ou perda da autoconfiança. Logo, o desrespeito do abusador e a pressão psicológica que ele impõe em outros trabalhadores, evidencia que a educação idealizada por Freire é essencial na sociedade hodierna.

Ademais, segundo o filósofo Immanuel Kant, o princípio da ética é agir de forma que essa ação possa ser uma prática universal. De maneira análoga, a obsessão de alguns funcionários em relação a outros pode ser devido à vontade de “subir de patamar” no emprego, haja vista que humilhar e perseguir psicologicamente os colegas, desestabiliza o emocional deles, ao passo que, em algum momento as vítimas podem desistir do cargo. Dessa forma, tal ação lamentável vai de encontro com o pensamento kantiano, uma vez que se todos os empregados tivessem essa mesma “estratégia” para o sucesso profissional, o local de trabalho entraria em profundo desequilíbrio. Faz-se imprescindível, assim, que medidas sejam tomadas para a mitigação dessa conjuntura.

Infere-se, portanto, que o combate ao assédio moral no ambiente trabalhista é imperioso no Brasil. Sendo assim, o Governo Federal, instância máxima da administração executiva, juntamente do Ministério da Educação, deve atuar em favor da população e incluir na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) das escolas do país, a disciplina de educação emocional, com o fito de estruturar no corpo social o saber da empatia e do respeito, para que no local de ofício os colegas de trabalho se tratem de forma digna e respeitosa, sem perseguir ou humilhar os funcionários por interesses próprios. Espera-se, então, que os sentimentos de desamparo retratados por Munch, delimitem-se apenas ao plano artístico.