Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 20/11/2021

O filósofo Raimundo Teixeira Mendes, em 1889, adaptou o lema “Ordem e Progresso” não só para a Bandeira Nacional Brasileira, mas também para a nação que, hodiernamente, enfrenta inúmeros empecilhos para o seu desenvolvimento. Lamentavelmente, entre eles, destaca-se o assédio moral no trabalho, obstáculo recorrente na sociedade brasileira. Essa realidade se deve principalmente à ineficiência estatal e à alienação social.

Sob esse viés é lícito postular que a negligência do Poder Público exerce irrefutável influência no cenário explicitado. Nesse sentido, a inoperância dos governantes fazem com que muitas pessoas sejam submetidas a passar por situações humilhantes e desrespeitosas no ambiente de trabalho, pois, apesar de existir leis para o combate e prevenção desse crime, não há fiscalização eficaz, o que acaba acarretando problemas psicológicos, como ansiedade e depressão das vítimas de assédio moral. Essa conjuntura, exemplifica a expressão “Instituições Zumbis”, engendrada pelo sociólogo Zygmunt Bauman, segundo a qual as esferas de poder, apesar de presentes na sociedade, não cumprem sua função social com eficácia. Desse modo, é imprescindível que, para a refutação da teoria do estudioso polonesa essa problemática seja revertida.

Ademais, uma grande parcela da população se mostra alienada. O intitulado “Paradoxo da Moral” é um livro escrito pelo musicólogo Vladimir Jankélévitch para exemplificar a cegueira ética do homem moderno, ou seja, a passividade das pessoas frente aos empasses enfrentados pelo próximo. De maneira análoga, percebe-se que o assédio moral no trabalho encontra um forte alicerce na estagnação social. Essa situação ocorre porque, infelizmente, a sociedade não se movimenta em prol da erradicação do revés, pelo contrário, ela adquire uma posição individualista, por não mensurar as consequências negativas, como traumas e até mesmo o suicídio, que a problemática traz consigo. Logo, torna-se essencial superar esses preceitos que ferem, sobretudo, a dignidade humana.

Portanto, é necessário que haja uma intervenção diante desse cenário. Destarte, o Governo Federal, responsável por administrar o povo e os interesses públicos, por meio da mídia, deve promover campanhas nacionais que discutam a temática e mostrem as consequências negativas que o problema traz, a fim de dar maior visibilidade ao assunto e promover a erradicação do assédio moral no trabalho. Dessa maneira, o Brasil se tornará a nação da ordem e do progresso, como proferiu Raimundo Teixeira Mendes.