Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 23/01/2022
O filme “O Diabo Veste Prada” retrata o assédio moral vivenciado por uma secretária recém-contratada, o qual é praticado por sua chefe, no contexto de uma grande revista de moda internacional. Não distante da ficção, nos dias atuais, o assédio moral é um mal que atinge muitos ambientes de trabalho e que é nocivo aos empregados submetidos a esse tratamento, o qual precisa ser combatido. Tal situação de violência se mantém por conta da ausência de punição efetiva a esses assediadores morais por negligência das autoridades públicas e também em razão da falta de informação por parte das vítimas quanto a esse tipo de constrangimento, que as faz não reconhecer o abuso sofrido. Desse modo, é mister entender os fatores que dificultam a solução dessa temática.
Deve-se destacar, de início, que os comportamentos de assédio moral praticados nos ambientes de trabalho são reforçados em razão da impunidade dessa prática. Segundo o psicólogo americano B. F. Skinner e sua teoria do condicionamento operante: “O homem tende a repetir seus atos até ser devidamente punido”. No entanto, nota-se, no Brasil, que a impunidade em relação aos casos de assédio moral é uma constante que impede que tais abusadores se sintam inibidos ou receosos a praticarem tal violência. A exemplo, são poucos os casos de condenação de empregadores por tal infração. Dessa forma, é inaceitável que, em pleno terceiro milênio, não sejam punidos os agentes que assediam os trabalhadores em seus ambientes de trabalho.
Ainda, é indiscutível que a falta de informação por parte das vítimas sobre o que é o assédio moral está entre as dificuldades para o combate dessa ocorrência. Conforme o psicanalista francês Christophe Dejours, “o amor próprio é fundamental para combater o assédio moral”. Com base nisso, ressalta-se que os empregados vítimas de assédio necessitam saber que não podem ser expostos a situações humilhantes e constragedoras, principalmente de forma repetida e prolongada, Também não se pode exigir metas inatingíveis, ser tratado com rigor excessivo ou ser chamado por apelidos não autorizados. Contudo, muitos trabalhadores, em especial aqueles com menor grau de instrução, não percebem a forma desumana com que são tratados sem o amor e a dignidade devida.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que o Judiciário Trabalhista, em parceria com o Ministério do Trabalho, promovam campanhas esclarecedoras sobre o que é o assédio moral e onde denunciar, por meio de propagandas na televisão, rádios e internet. Nesse sentido, o intuito é que mais assediadores sejam identificados a partir do reconhecimento pelos trabalhadores de atos de assédio moral e, a partir do devido processo legal, sejam punidos. Somente, assim, é possível conceber ambientes de trabalho saudáveis e felizes, para o exercício profissional dos trabalhadores.