Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 04/05/2022

Na obra literária Trono de Vidro, da autora Sarah J. Maas, a personagem Celaena Sardothien é uma indubitável vítima de assédio moral, sendo designada a trabalhos perigosos e degradantes, caso não os cumprisse, era exposta a agressões tanto físicas quanto psicológicas e, por medo de punição, não havia ninguém que ajudasse a personagem, de maneira análoga ao assédio moral no mercado de trabalho brasileiro. Nesse prisma, destacam-se dois importantes aspectos desta triste situação: a negligência governamental e a mentalidade individualista.

Em primeira análise, evidencia-se o descaso governamental. Acerca disso, consoante o renomado filósofo Friedrich Hegel, o Estado deve proteger seus “filhos”. Em contrassenso ao pensamento do estudioso, ocorre, no país, a negligência para com os trabalhadores, o que, por conseguinte, gera uma coletividade egoísta e com pensamentos inclinados apenas em benefício próprio. Assim, enquanto o desmazelo estatal permanecer vigente, difícil será a resolução dessa ponderosa questão.

Além disso, é notória a mentalidade individualista presente na sociedade. De acordo com Jean-Paul Sartre, a violência é sempre uma derrota, entretanto, em contradição com o pensamento do filósofo, são inúmeros os casos de manifestação do assédio moral, seja em forma de agressão física ou psicológica, motivados exclusivamente pelo egocentrismo. Dessa forma, mesmo que inconscientemente, um corpo social autocentrado é cada vez mais motivado a existir, tornando assim uma conjuntura cada vez mais dificultosa de se contornar.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham a conter os efeitos da impertinência moral no mercado de trabalho brasileiro. Desse modo cabe à Esfera Administrativa dar a devida importância em relação ao cumprimento da Legislação referente aos direitos do trabalhador, por meio de supervisão periódica das condições de trabalho trabalho e fóruns de reclamações anônimas, a fim de que a displicência do Governo possa ser amenizada e não só os interesses dos superiores sejam os priorizados. Somente assim, o Poder Público poderá proteger seus “filhos”, como propôs Hegel.