Combate ao preconceito contra as pessoas com nanismo

Enviada em 17/04/2026

Na obra “O Corcunda de Notre-Dame”, de Victor Hugo, Quasímodo é marginalizado em razão de sua aparência física, o que revela como a diferença corporal pode ser convertida em exclusão. Fora da ficção, pessoas com nanismo ainda enfrentam, no Brasil, infantilização, piadas e barreiras de acessibilidade, embora essa condição seja reconhecida como deficiência física. Nesse cenário, o combate ao preconceito contra esse grupo exige enfrentar dois problemas centrais: a permanência de estigmas culturais e a negligência estrutural do poder público.

Em primeiro plano, a reprodução de estereótipos contribui para a desumanização das pessoas com nanismo. Segundo Erving Goffman, o estigma ocorre quando uma característica passa a definir negativamente a identidade de alguém. Sob essa lógica, ao serem vistas como figuras cômicas, “exóticas” ou incapazes, essas pessoas têm sua autonomia simbólica negada e deixam de ser reconhecidas como sujeitos plenos. Tal realidade aparece em interações cotidianas marcadas por comentários constrangedores e em representações midiáticas caricaturais. Assim, o preconceito não se restringe à ofensa direta, mas sustenta uma violência simbólica que limita o pertencimento social.

Além disso, a falta de acessibilidade intensifica essa exclusão. Conforme a Lei Brasileira de Inclusão, a deficiência resulta da interação entre impedimentos individuais e barreiras sociais. Entretanto, balcões altos, banheiros inadequados e transportes pouco adaptados revelam que o espaço urbano ainda ignora corpos diversos, restringindo estudo, trabalho e circulação autônoma. Logo, quando o Estado e as instituições privadas não garantem adaptações específicas, a igualdade prevista em lei torna-se apenas formal.

Portanto, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em parceria com o Ministério da Educação, deve criar campanhas permanentes sobre nanismo e inclusão, por meio de vídeos, formações escolares e conteúdos digitais produzidos com pessoas com nanismo, a fim de desconstruir estereótipos. Ademais, as prefeituras devem adaptar prédios públicos e transportes, com verbas específicas e fiscalização do Ministério Público, para assegurar autonomia e participação social. Assim, a diferença corporal não mais será convertida em exclusão.