Combate ao preconceito contra as pessoas com nanismo

Enviada em 02/10/2024

Em sua obra “Utopia”, Thomas More destaca uma sociedade caracterizada pela ausência de perturbações sociais. Todavia, a análise da conjuntura brasileira apre-senta uma oposição ao texto sobredito, já que o preconceito contra as pessoas com nanismo compromete a harmonia coletiva. Diante disso, tem-se um problema fomentado não só pelo estranhamento à essas pessoas, mas, também, pela ausên-cia de políticas inclusivas.

À princípio, nota-se que o nanismo é uma condição física cercada por incom-preensão e preconceito. Isso porque é comum a caricaturização do indivíduo, rela-cionando a deficiência dele com diversos esterótipos, como a infantilização, atribuí-da à uma construção histórica de preconceitos, vislumbrada em inúmeras literatu-ras. Nesse contexto, tem-se, como exemplo, o clássico Branca de Neve e os Sete Anões, que incute a ideia de superioridade de uma princesa sendo servida por sete indivíduos adultos com essa condição. Nessa ótica, não é incomum ter essa temáti-ca sendo pejorativamente abordada em espetáculos, memes e piadas.

Ademais, constata-se o desserviço estatal em relação às pessoas com deficiê-ncia, incluindo o nanismo, por meio da distinção, restrição e exclusão do acesso aos direitos fundamentais delas. Nesse sentido, conforme matéria publicada no si-te da CNN Brasil, embora a repercussão dessa condição esteja restrita ao desen-volvimento físico, há diversos obstáculos para que ocupe o lugar de direito dela na sociedade. Devido a isso, os equipamentos públicos e privados encontram-se des-providos de rampas, elevadores, mobiliários adaptados e recursos humanos tecni-camente preparados, dificultando o acesso à educação, transporte e estabeleci-mentos de saúde, direitos garantidos na Constituição de 1988.

Portanto, fica evidente a necessidade de se reverter tal situação. Para tanto, urge que o governo federal, através da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, elabore políticas que contemplem, dentre várias ações, a inclusão de debates escolares com alunos, familiares, pessoas com nanismo e educadores para discutirem maneiras de se combater os preconceitos contra essa parcela da sociedade. Assim, espera-se alcançar a sociedade utópica descrita pelo autor.