Combate ao preconceito contra as pessoas com nanismo

Enviada em 02/11/2024

No período histórico da Grécia Antiga, as crianças que nasciam com alguma deficiência física eram mortas, pois eram consideradas “defeituosas” e “incapazes” de lutarem em uma guerra. A partir dessa análise, é perceptível que essa mentalidade arcaica ainda prevalece na contemporaneidade e é evidenciada pela presença do preconceito contra o nanismo, um distúrbio de crescimento que gera baixa estatura. Essa discriminação é agravada por conta de diversos fatores, como a imposição de padrões estéticos e a falta de seriedade atribuída a esse problema.

Nesse sentido, é primordial analisar os impactos da pressão estética na sociedade brasileira. Essa cobrança social é evidenciada pelo mito grego de Procusto, o qual narra a história de um ser mitológico que aprisiona as pessoas em camas e, caso elas não caibam no formato da cama, ele corta seus membros ou estica-os para adequá-los à forma ideal. A partir dessa análise, pode-se relacionar a moral do mito com a pressão estética, pois ele enfatiza que a cobrança para a população se encaixar em padrões físicos , como a altura, causam desconforto, de modo que os portadores de nanismo são vistos de forma preconceituosa por não corresponderem às expectativas sociais.

Ademais, deve-salientar a falta de importância que o corpo social atribui aos problemas vivenciados por pessoas com nanismo. Essa negligência é perceptível no filme norte-americano “A Fantástica Fábrica de Chocolate “, no qual os Oompa Loompas são representações humorísticas de indivíduos com nanismo, de modo a ressaltar uma cultura que utiliza a baixa estatura como artifício de zombaria. Sob esse viés, entende-se que o tamanhismo, discriminação baseada no tamanho, é agravado pela desumanização e humorização do nanismo, que resulta na ausência de visibilidade das questões vivenciadas por seus portadores.

Portanto, é notória a necessidade de ações para mitigar o capacitismo associado ao nanismo no Brasil. Isto posto, cabe à mídia, importante agente social ampliador de visibilidade, proporcionar maior notabilidade ao preconceito que aflinge indivíduos de baixa estatura, por meio de reportagens sobre o assunto e entrevistas com portadores de nanismo, a fim de influenciar a população a se unir no combate ao tamanhismo em território nacional.