Como a inovação tecnológica pode impulsionar o acesso à energia limpa, confiável, sustentável e renovável para as populações vulneráveis
Enviada em 07/05/2025
No filme “O Menino que Descobriu o Vento”, William é um jovem africano que mo- ra em uma região pobre do Malawi e ao iniciar sua trajetória escolar se depara com o obstáculo da falta de luz elétrica. O protagonista então desenvolve uma turbina sustentável para geração de energia eólica a partir da necessidade de estudar à noite. Paralelamente à história contada nessa produção, no Brasil, é crucial que a i- novação tecnológica se torne uma ferramenta para o acesso à energia limpa e re- novável por populações vulneráveis, assim como a família de William.
Inicialmente, ao pensar sobre como as novas formas de produção energética po- dem alcançar grupos prioritários como moradores de áreas rurais ou de periferias urbanas, quilombolas e indígenas, é preciso discutir a ampliação do investimento governamental em pesquisa e extensão no ensino superior. Esse setor necessita de um apoio sólido e constante dos governos federal e estadual, já que 95% da pes- quisa feita no Brasil está nas universidades públicas, segundo a reitora da Universi-dade Federal de Minas Gerais, Sandra Regina. Além desse fato, é notório o atual ce- nário de queda na produção científica nacional, visto que em 2022, cientistas publi-caram 7,4% menos artigos que em 2021, de acordo com Sandra. Tal redução, refor- ça a urgência no aumento do destino de verbas para essa área.
Em conjunto com os esforços de financiamento, tem-se a importância do planeja- mento e estudo por parte de órgãos públicos para a associação das inovações às diferentes realidades no país. Nesse sentido, deve ser feita uma investigação deta-lhada na escola da melhor solução para cada caso, com a coleta de dados e o cálcu-lo dos recursos disponíveis no local estudado. Junto disso, o trabalho dessas insti-tuições deve estar alinhado com a implantação de sistemas como o “off-grid” - cai-xas solares portáteis que funcionam sem estar conectadas à rede elétrica tradicio-nal - que alcançam famílias distantes das cidades.
Logo, a fim de abrir caminho para a formação de novas cadeias produtivas locais e para a geração de empregos em regiões vulneráveis, o Ministério da Educação deve incentivar a produção científica voltada a energia limpa e renovável. Isso se aplica por meio da expansão de bolsas de estudo nas universidades públicas. Assim, os avanços tecnológicos podem atingir aqueles que serão mais impactados por eles.