Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 27/10/2025
A série “Adolescência” trouxe a tona o termo “incel” - movimento online masculino, misógino e violento de celibatários - para caracterizar o protagonista suspeito de assasinar uma garota. Fora da trama, esse é um debate atual visto a violência e justiça que podem ser incitados pela mídia. Isso ocorre devido à propagação do discurso de ódio e à negligência estatal.
Em primeira análise, cabe ressaltar a disseminação do discurso de ódio propagado com a evolução tecnológica. Nessa perpectiva, as redes sociais tornaram-se “território sem lei” do qual qualquer usuário se sente confortável para proferir xingamentos e/ou ameaças em comentários, postagens alheias, e grupos/comunidades. A esse respeito, o filósofo Zygmunt Bauman alertava que “as redes sociais são uma armadilha”, e para além, até drasticamente mortal como o desafio “baleia azul” que levou jovens ao suicídio. Portanto, é preciso pensar medidas eficazes de conter o ódio que perpassa o ambiente virtual e atinge a realidade de muitos indivíduos vulneráveis.
Concomitantemente, o descaso do estado corrobora na problemática supracitada. Fator esse que dá margem para perpetuação de grupos online misóginos, que aproveitam-se de garotas e mulheres forçando-as executarem atividades degradantes e de auto mutilação por meio de coagir-lás. Nessa ótica, a falta de fiscalização e punição é o principal mantenedor dessas formas de violência e justiça com as próprias mãos, mas não somente, vemos também linchamentos públicos decorrentes de alguma injustiça ou tragédia social que viralizou na rede. É inadmissível que o estado não tome providências resolutivas visando a regulamentação das mídias, e oferecendo convívio digital mais saudável.
Evidencia-se, portanto, que o governo federal - instância máxima da administração pública - deve criar um programa social denominado “Vida On” e praticá-lo nas escolas e prefeituras por meio de palestras de combate à violência e campanhas de conscientização. Isso deve ser feito com verbas públicas, e divulgado nos perfis governamentais. Somente assim, por meio da instrução e educação, a agressividade pode ser erradicada.