Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 13/02/2020
Em um governo ditatorial, uma das formas de garantir o controle da população é a censura da imprensa. Isso porque a manipulação de notícias é essencial para movimentar as massas. Por esse ângulo, a mídia tem um papel de gestão na sociedade. Entretanto, ao deixar de expor os fatos com clareza ou desvirtuar seu foco, podem ser geradas interpretações confusas que culminam na violência. Dessa forma, nota-se a necessidade de regulamentação da mídia informativa.
Em primeiro plano, é válido ressaltar os episódios ocorridos durante o surto de febre amarela no Brasil, em 2017. Nesse período, foram divulgados diversos casos de envenenamento de macacos por parte da população, que entendeu, pelas notícias, que o animal era responsável pela transmissão da doença, quando na verdade, ele é um indicador importante para localizar os focos do mosquito transmissor. Dessa maneira, a falta de clareza dos informes resulta em ações equivocadas dos civis que os acompanham.
Paralelamente a isso, a busca por audiência, estrutura a informação de tal modo que sua origem, de fato, se perde. Exemplo disso é a série “Olhos que condenam”, adaptação do caso factual, de 1989, em que 5 jovens foram acusados de estupro e presos sem prova. Todavia, durante o processo criminal, diversos jornais expunham os meninos como culpados e incitavam manifestações a favor da pena de morte para eles, ou seja, motivavam a população a combater os jovens em vez de divulgar o combate ao crime. Nesse sentido, as notícias percorrem sem que seus pontos centrais sejam reconhecidos.
Portanto, fica evidente que a mídia carece de uma organização que objetive a divulgação segura dos fatos. Para isso, o Congresso Nacional precisa trabalhar em uma regulamentação midiática com regras a serem seguidas antes da divulgação da notícia, e, embasado em países já regulamentados, faça pesquisas populares as quais mostrarão os quesitos necessários à matéria para que ela seja entendida pelo público, a fim de garantir a clareza da informação e a fidelidade do noticiário, sem que haja censura nos meios informacionais. Assim, a imprensa seguirá um caminho democrático de trabalho.