Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 12/02/2020
Na obra “Morte Súbita”, de J.K Rowling, a personagem principal cresce em uma realidade caótica e marcada pela violência, o que se reflete em sua personalidade. Hoje, ainda que a configuração social seja importante, a influência da mídia e sua exploração sobre crimes ocorre e também corrobora com o estímulo e reação a cenários violentos, provocando patologias sociais. Nessa conjectura, a naturalização de cenas cruéis e, também, a realização de linchamentos e revoltas nacionais são consequências deste processo.
Convém destacar, a priori, que a transmissão constante de cenas violentas acarreta a naturalização das mesmas. Isso porque o contato e a visualização destas pode tornar o indivíduo apático aquela situação, inibindo sua empatia, ou ainda incitar reações semelhantes. Um bom exemplo é apresentado com a cobertura do Massacre de Columbine, que foi marcada pelo foco nos assassinos e em suas motivações, destacando-os. Dessa forma, se tornou comum que os próximos tiroteios escolares ocorressem com referências e inspirações às atitudes dos atiradores.
Ademais, a transmissão exacerbada de casos chocantes e violentos pode provocar revoltas e linchamentos coletivos. Isso porque o sentimento de pessoalidade em casos notórios é maior, o que pode incitar a população a fazer justiça com as próprias mãos. Um bom exemplo desta situação foi o caso Isabella Nardoni, em que os assassinos foram acusados e linchados popularmente antes mesmo da acusação formal. Dessa forma, é notável que casos que sensibilizam também podem provocar reações negativas.
Diante dos fatos apresentados, é ideal que docentes municipais e a comunidade local, principalmente integrantes da família nuclear dos estudantes, realizem encontros semestrais para debates e instruções sobre a o que crianças e jovens devem ser expostos em seu contato com a mídia, por meio de rodas de conversa, atividades lúdicas e cartilhas sobre os perigos psicológicos de tal exposição, com o objetivo de direcionar a formação destes para reações adequadas diante de cenários incomuns. Além disso, é necessária uma parceria entre a Secretaria de Comunicação estadual e programas de TV locais para a formulação de um acordo de restrições da exposição de atos cruéis, fotos e informações sobre criminosos, por meio de conteúdos focados nas vítimas, reportagens sem sensacionalismo e com descrições mínimas de violência , visando não incitar novos atos violentos e reações de vingança.