Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 14/02/2020
O artigo 3, da Constituição Federal de 1988, estabelece que a República deveria garantir o desenvolvimento nacional, construindo uma sociedade livre, justa e solidária. No entanto, com a crescente violência e a lei de justiça com as próprias mão, incitado pela mídia, tal direito é fragilizado, de modo que causa grande desequilíbrio social. Nesse sentido, os meios midiáticos causam esse cenário através da circulação de discursos de ódio e da falta de jurisprudência nesse meio. À vista disso, subterfúgios devem ser encontrados, a fim de sanar esse problema.
Em primeiro instância, o incitamento ao ódio na mídia atua, com veemência, como propulsor da violência e, por fim, na justiça com as próprias mão. Nesse contexto, o pensador da área tecnológica e sociedade, Pierre Levy, afirmou que toda nova tecnologia cria seus excluídos. Sendo assim, hodiernamente é visto que a ideia do filósofo é levado ao extrema no conjunto dos meios de comunicação, de forma que a internet virou um ambiente em que o ato de inferiorizar o outro, por meio de preconceitos, tornou-se algo banalizado. Desse modo, enquanto essa for a realidade, a ferocidade da internet e a autojustiça se perpetuarão no corpo social.
Outrossim, a falta de medidas judiciais, como leis e ações preventivas, levam à perpetuação da violência e da justiça com as próprias mãos. Isso ocorre, pois, tal situação traz à sensação de impunidade a esses crimes virtuais, o que, indubitavelmente, deixa aberto para mais ataques de injúria e difamação. Dentre esse efeito, a vítima se sente desprotegida e quer de alguma forma, nem que seja por meios violentos, escapar dessa realidade. Dessa forma, fica claro que haja mudanças políticas, já que como afirma o filósofo Platão, a política deveria ser uma arte justa e nobre que sempre busca o bem estar do corpo social.
Nessa perspectiva, portanto, é mister que o Estado tome providências para obliterar o poder da mídia em incitar a violência e a autojustiça. Para isso, cabe ao Governo Federal, como instância máxima administrativa, junto às escolas, desconstruir essa cultura de inferiorização, por meio de aulas e palestras com sociólogos que irão advertir o quão grande é o efeito dos insultos na vida das pessoas pela internet, a fim de atenuar esse perfil preconceituoso da sociedade. Ademais, o Estado deve fiscalizar e punir crimes digitais, por meio de criação de delegacias inteligentes que irão procurar e aplicar punições sobre a injúria cibernética, a fim de acabar com o sentimento de impunidade, diminuindo a violência e a justiça com as próprias mãos. Feito isso, garantir-se-á que o direito prescrito pela Consituição Federal seja consolidado.