Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 13/02/2020
No cinema é fácil se ver ver filmes de uma Era que os conflitos eram resolvidos na “bala”, momento que a lei do mais forte reinava. No entanto, esse cenário ficou no passado e a sociedade hodierna possui todo um ordenamento jurídico para mediar os conflitos e não se pode aceitar cenas que remetem a violência ou justiça com as próprias mãos.
Em um primeiro momento, pode-se relembrar de uma cena de repercussão nacional, um jovem sequestra um ônibus em cima da ponte Rio-Niterói, e acaba morto pela polícia em prol da segurança dos cidadães de bem. Entretanto, não só por esse desfecho o fato repercutiu, o Governador do RJ esteve no local e foi mostrado pela mídia televisiva uma comemoração do Governador em relação a morte do acusado. Tal fato é lamentável, a final no ordenamento jurídico brasileiro não possui a morte como condenação. A esse respeito cabe a mídia criticar e se opor a tais fatos, de forma a não incentivar a violência.
Ademais, é preciso atentar-se no papel informativo que a mídia possui e condenar atitudes com excesso de juízo de valor. Nesse sentido, é importante sempre reafirmar a liberdade de expressão, no entanto, a delegação de julgar é do Poder Judiciário, não cabendo aquele que informam condenar um acusado, ou mesmo torcer para uma severa pena como o caso do Governador..
Pode-se perceber, portanto, que é preciso que a mídia se resguarde no papel informativo, e não incentive um cenário de faroeste, como no cinema. Aliado a tal ação, é necessário que publicações reprimindo atos de justiça com as próprias mãos sejam realizadas, pois um ‘‘justiceiro’’ é tão bandido quanto o próprio criminoso.