Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 14/02/2020
Durante a 1ª Dinastia Babilônica, foi criado o primeiro conjunto de leis escritas da história, o Código de Hamurábi, o qual tinha como máxima o lema “olho por olho, dente por dente”. Embora a ideia de uma dura retaliação aos crimes cometidos apresente ideias ultrapassadas, tal fenômeno ainda se mostra recorrente na hodiernidade, incitado principalmente pela mídia. Faz-se necessário, portanto, debater as causas e consequências da questão, a fim de atenuá-la.
Diante desse cenário, é importante ressaltar os motivos que levam a mídia a ser sensacionalista em reportagens apresentadas, como a busca pelo lucro e aumento da audiência. Ao se utilizar de estratégias como repórteres que opinam e incitam reações dos telespectadores, muitas vezes busca-se aumentar o interesse destes na notícia apresentada, gerando revoltas e, consequentemente, respostas igualmente violentas. Tal fato, somado à descrença na justiça, leva à vontade da própria população realizar a sentença desejada, o que caracteriza a justiça com as próprias mãos, agravando o problema.
Ainda convém lembrar as consequências do posicionamento midiático, como o tratamento recebido pela pessoa julgada. Muitas vezes, opiniões de repórteres não levam em conta o trabalho da justiça ou as provas do crime, o que pode culminar no “linchamento social” de uma pessoa inocente. De acordo com o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento acerca do mundo. Dessa maneira, por ser uma das únicas fontes de acesso a notícias para grande parte da sociedade as mídias podem ser prejudiciais ao serem parciais, encorajando parte da população a tomar um posicionamento específico, acentuando a questão.
É perceptível, dessa forma, que o sensacionalismo midiático exacerbado é prejudicial, ao passo que incita reações violentas dos telespectadores. É imprescindível, assim, que o Governo busque reduzir a ocorrência do problema por meio da desmonetização de programas que busquem provocar a população, nos quais o jornalista expresse abertamente a sua opinião acerca dos crimes cometidos, a fim de evitar que tal recurso continue a ser utilizado para atrair o público. Ademais, é necessário que as escolas auxiliem na formação de cidadãos conscientes por meio de aulas direcionadas, nas quais palestrantes expliquem a necessidade da confiança na justiça, de forma a impedir que reações violentas continuem a ocorrer. Desse modo, será possível minimizar o entrave, assegurando para que as punições agressivas possam continuar no passado.