Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 15/02/2020
Émile Durkheim, sociólogo francês, afirmava que para haver harmonia em uma solidariedade orgânica, cada parte do corpo teria que cumprir sua função,para que não ocorresse uma patologia social. Entretanto, percebe-se que essa tese não vem sendo cumprida,visto que a mídia incita condutas de autotutela.Dessa forma, essa problemática potencializa não só o desequilíbrio social, mas também a banalização do mal. Sendo assim, torna-se evidente a necessidade de um combate a esse problema.
Em primeiro lugar, convém elucidar o retrocesso social dos indivíduos ao praticar tais atitudes. Nesse contexto, ao relembrar do século XVII a.C, em que o Código de Hamurabi permitia a população fazer justiça por si mesma.Ocorre que caso os cidadãos ao serem incentivados pelo sensacionalismo da mídia, acreditam que podêeem praticar a ideologia “olho por olho, dente por dente”, logo, as autoridades públicas mostram-se incapazes de punir os canais que incitam o crime, causando um desequilíbrio social.
Outrossim, induzir a violência e atitudes de autotutela evidencia a maldade humana. A esse respeito,a filósofa Hannah Arent disserta que as atitudes cruéis fazem parte do cotidiano dos serem humanos, o que define o conceito conhecido como Banalidade do Mal. Nesse sentido, ao estimular tais práticas os meios de comunicação potencializam a hostilidade, tornando a crueldade denunciada por Arent mais presente e fragiliza de forma irreparável a harmonia coletiva que ainda resta.De acordo com pesquisa realizada pela GfK(actualmente Growth from Knowledge;Crescimento pelo Conhecimento, em português), 4ª maior empresa de pesquisa de mercado no Brasil, revela que 52% dos entrevistados acreditam pelo menos algumas vezes nos comentários que veem ou leem sobre uma marca nas mídias sociais.Desse modo, é incoerente que a nação busque ser pacífica, mas insista em permanecer com essa propagação do mal.
Diante dos fatos supramencionados, é notório a necessidade de uma maior prevenção em combater o incentivo a maldade, por parte da mídia, devido as consequências causadas na sociedade. Dessa maneira, cabe o Estado, aliado às esferas privadas, implementar as leis já existentes por intermédio de Planos Municipais que regulem o que pode ser propagado nos meios de comunicação de massa, a fim de que não fira os Direitos Humanos. Além disso, faz-se necessário que a escola aliada à família orientem e eduquem os cidadãos, desde a tenra idade, por meio de formações extracurriculares que contemplem o correto manuseio das mídias sociais, além da transmissão de princípios éticos e morais, visando a otimizar os hábitos comportamentais. Assim, caso essas medidas ocorram, a protagonização das mídias será gradualmente atenuada.