Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 20/02/2020

Segundo o artigo primeiro da Declaração Universal dos Direitos Humanos: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Nesse sentido, é lógico esperar que quem cometa crimes deva ser julgado de forma justa pelo Estado. Entretanto, alguns setores da mídia têm usado sua posição para estimular a população a fazer um julgamento pautado tão somente na violência, apoiando-se no profundo ressentimento dela para com aqueles que cometem os crimes.

A priori, deve-se reconhecer que a mídia possui grande influência sobre as pessoas. Ademais, nos últimos anos viu-se o surgimento de vários noticiários em canais “abertos” em que os âncoras falavam de vários crimes e, inconformados com falhas nos meios legais de detenção e pelos próprios crimes, externavam o seu ressentimento. Desse modo, como boa parte da população sofre a ação desses crimes, ter alguém em rede nacional trazendo discursos sobre eles cria uma sensação de desamparo pelos órgãos de justiça e, sem analisarem algum contraponto desses discursos, acham-se no direito de se colocarem como justiceiros.

Outrossim, o escritor G.K. Chesterton diz: “O homem moderno quer colocar ordem em tudo, menos em suas próprias ideias”. Nesse sentido, sendo a massa da população brasileira pouco crítica, a chance de concordarem com discursos fujam da racionalidade é alta, gerando assim cenas que se tornaram comuns, como a de meliantes sendo linchados publicamente após cometerem algum crime.

Portanto, é necessário que o Congresso crie leis que punam discursos que, através da mídia, incitem a violência e a criação de campanhas nos meios públicos e digitais a fim de conscientizar a população. Dessa forma, surtirá efeito na mídia, com o ponderamento das opiniões emitidas, e na população em geral, mostrando as consequências de se fazer justiça com as próprias mãos. Por fim, se para Kant “O homem é o que a educação faz dele”, esta, aliada à conscientização, são os meios necessários para fazer valer o artigo primeiro da Declaração Universal dos Direitos Humanos.