Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 21/02/2020

Segundo o filósofo e pensador moderno Thomas Hobbes, o homem é mau por natureza, porém mantém uma certa postura por viver em uma sociedade estruturada judicial e politicamente. No entanto, desvios de conduta e consequentemente a quebra de leis são atos extremamente comuns, os quais são exibidos e comentados por meios de comunicação, de maneira, muitas vezes, propensa à parcialidade ou falta de informações, que, somado ao fato do sistema judicial Brasileiro não funcionar como deveria, acabam por provocar um sentimento de revolta em boa parcela da população.

A influência da mídia sobre a vida do cidadão moderno é inegável, ela atua como difusora de informações e direcionadora de opiniões. A notícia transmitida ao telespectador busca atualmente gerar impacto e causar uma reação em seu público alvo, o problema reside no fato de que a grande maioria dos acontecimentos televisionados são de origem violenta, mostrados de uma forma que pende para um lado da história e dá ênfase em  palavras como “não solucionado” ou “respondendo em liberdade” fatos que, apesar de serem verdade, acabam por gerar um crescente sentimento de revolta na população. O chamado linchamento, ato de fazer a justiça com as próprias mãos vem aumentando no Brasil, segundo aponta um professor da universidade de São Paulo (USP), que pesquisa o assunto, no páis acontecem pelo menos um caso ou tentativa de linchamento por dia.

O processo judicial é conhecido por ser um procedimento demorado, no entanto, no Brasil pode levar o dobro do tempo, ja que o páis conta com um sistema muito falho na questão agilidade. A falta de rapidez na resolução, a eventual prisão dos envolvidos em um crime e a liberação, muitas vezes inapropriada de suspeitos, são motivos que levam a uma crescente onda de revolta na sociedade em geral, especialmente nas comunidades onde esses crimes costumam acontecer. Em uma pesquisa realizasa pelo jornal O Globo dados mostram  que cerca de 69% dos presos condenados por crimes graves voltam às ruas em pouco tempo. As pessoas tendem a achar que como a justiça não resolve o melhor a ser feito, já que o perdão é considerado inaceitável, é fazer com as próprias mãos, o que somente gera mais violência para o meio e acaba por criar outro criminoso.

Logo, para que os casos de lichamento diminuam e a mídia não seja a grande reponsável por eles, medidas se fazem necessárias. O Ministério da Comunicação deve intervir de maneira mais ativa nos contúdos mostrados por setores de comunição, certificando-se de que matérias exibidas em rede nacional ou que atinjam um público maior sejam apresentadas de maneira mais imparcial e mais explicativa, por meio de um controle mais rigoroso, para que com isso as pessoas se sintam menos incitadas a cometer crimes com a  justificativa de estarem fazendo justiça por si próprias.