Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 29/04/2020
Com o processo de urbanização, ocorreu o surgimento da imprensa para noticiar conteúdos de domínio público. Nos dias atuais, esse mecanismo está cada vez mais presente no cotidiano dos brasileiros, por isso, pode contribuir para o surgimento de “justiceiros” ao publicar dados em excesso sobre casos criminais e ao desumanizar criminosos. Desse modo, intervenções governamentais são necessárias para que os cidadãos não comentam crimes tentando fazer justiça com as próprias mãos.
A priori, pode ocorrer a indução à violência por meio da divulgação de informações específicas sobre os crimes noticiados. Nessa perspectiva, cabe apontar a cobertura midiática do caso “Eloá”, em 2008, no qual uma adolescente foi sequestrada por seu ex-namorado e mantida como refém até ser morta por ele. Nesse caso, houve a divulgação do local e diversas pessoas da mídia, policiais e civis querendo ajudar a resgatar Eloá estavam lá. Com isso, policiais atestaram que essas pessoas atrapalharam momentos importantes como a negociação, ou seja, agir como um “justiceiro” atrapalha o papel das pessoas designadas para manter a ordem, uma vez que civis não possuem preparo psicológico e formação para contribuir em situações do gênero. Por conseguinte, compreende-se que a divulgação dessas informações contribuiu para um sentimento de “dever de justiça” nas pessoas, possuindo consequências negativas para o trabalho policial.
Além disso, a mídia pode desumanizar infratores a partir de colocações nas quais seja incitado o ódio. Partindo dessa lógica, ao ver um jornalista afirmando frases como “bandido bom é bandido morto”, um indivíduo pode acabar adotando essa perspectiva e, mediante a essa sensação de dever de punir um transgressor, pode cometer uma violência maior. Acerca dessa análise, a filósofa Hannah Arendt afirma que propagandas foram o meio que Nazistas utilizaram para “desumanizar” judeus para a população alemã, de modo que as pessoas agredissem e denunciassem a existência desse grupo em específico. Destarte, os meios de comunicação podem acabar reduzindo a empatia dos seres humanos e fazer com que eles se tornem “justiceiros” ao serem contagiados por um sentimento de ódio.
Portanto, o Governo deve agir para amenizar esse problema. Nesse tocante, respeitando a liberdade de impressa imposta pela Constituição Federal de 1988, não deverá interferir na mídia, mas capacitar as pessoas em como devem interpretar as informações. Nesse ínterim, por meio do Ministério da Educação, deverá promover palestras - abertas ao público - em escolas de nível fundamental e médio com professores e especialistas em segurança civil para conscientizar as pessoas sobre como agir por justiça com as próprias mãos contribui negativamente para a sociedade. Assim sendo, as pessoas saberão consumir informações e não agirão como civis agiram no caso de Eloá.