Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 26/02/2020
O documentário “Wild Wild Country” da Netflix retrata, em um dos seus episódios, como um vírus nocivo se alastrou no Texas, resultado de uma arma biológica usada pela Sheela, líder da comunidade “Rajneesh”, que sofria ameaça das cidades vizinhas. Paralelamente a esse evento, nota-se na sociedade a existência de várias “Sheelas”, denunciando o quão a violência e a vingança tornaram-se sinônimos de justiça devido à naturalização delas no mundo cibernético.
Mormente, nota-se na população a Ambivalência de Valores, conceito de Zygmund Bauman o qual aponta que, por consequência da incapacidade humana de assimilar o excesso de informações “online”, as pessoas atrofiaram sua habilidade de desenvolver sensos morais. Um exemplo disso é o Estado Islâmico que, tão somente através da “internet”, conseguiu convencer jovens a participarem do seu grupo. Logo, é notório a relação entre a massiva quantidade de dados e o aumento de comportamentos violentos e imorais.
Em segundo lugar, a presença de discursos agressivos ou preconceituosos nos “posts” causa o entrave ético enfrentado atualmente. Para Hannah Arendt, a agressão tornou-se comum nas relações sociais. Em consoante à tese da filósofa, o psicólogo Carl Jung afirma que é por meio do aparecimento constante de um comportamento que ele se torna, inconscientemente, habitual na sociedade. Portanto, conclui-se que a repetição de falas agressivas virtualmente corrobora para a naturalização da violência e, consequentemente, o desaparecimento da fronteira que a distingue da justiça.
Portanto, medidas são necessárias para que se reestabeleça a moral na sociedade. Para tal, urge que o Ministério da Tecnologia com o Ministério da Educação forneçam aulas frequentes nas escolas, as quais, por meio da interação com computadores ou celulares dos estudantes, exercitem, através da análise crítica de cada um dos principais “sites” e páginas das redes sociais, a distinção dos discursos saudáveis para os nocivos, a fim de que as futuras gerações saibam que navegação consciente não é só saber passar o “feed”, mas filtrar o que se recebe.