Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 28/02/2020
Durante a antiguidade era comum que cidadãos se reunissem para assistir as lutas de gladiadores, que se tornavam grandes espetáculos. A violência, portanto, foi objeto de curiosidade e interesse para os seres humanos ao longo dos séculos. Foi nesse contexto que a mídia vislumbrou a possibilidade de aumentar a audiência e passou a divulgar e banalizar comportamentos violentos, o que contribui para naturalização e disseminação dos mesmos.
A princípio faz-se importante destacar que o homem possui uma tendência natural a violência, sobre isso o Psicanalista Sigmunt Freud fala que são pulsões de vida e de morte que estão em constante conflito dentro da mente humana. Sendo assim, a pulsão de morte pode ser associada aos comportamentos violentos, que são combatidos pelas regras sociais. Entretanto, a busca por externalizar esses comportamentos é constante, seja de forma direta ou indireta, um exemplo disso é a grande audiência das lutas de MMA ou o interesse por noticiários violentos. Nesse cenário, as notícias com maiores audiências são as mais violentas, estas, fazem parte do dia a dia dos sujeitos e competem com os almoços em família sem que isso cause estranhamento ou desconforto. Tal fato contribui para naturalização dessas cenas, e para que o espectador tenha a sensação de estar inserido em um cenário caótico, não lhe restando outra saída a não ser se defender.
Outro ponto que merece destaque é o papel das mídias sociais para disseminação de comportamentos violentos. Tal veículo de informação é popular e de fácil acesso, sendo assim, facilita a propagação de notícias. Entretanto, como não existe fiscalização adequada sobre os conteúdos ou responsáveis pelas informações, o número de inverdades é cada vez maior. Embora em 2014 tenha surgido oficialmente o Marco Civil da Internet, com garantias, direitos e deveres para quem usa a rede, estas ainda são falhas em coibir tais ações, que se espalham com facilidade. Com isso, crescem também os casos em que as pessoas, incentivadas por tais mídias buscam fazer justiça com as próprias mãos para se defenderem do que consideram pessoas ou ações ameaçadoras.
Em suma, a incitação a violência e justiça com as próprias mãos por parte da mídia não pode continuar. Para tanto, é necessário que o Governo garanta a punição dos responsáveis pela propagação de notícias falsas ou pelo incentivo a ações de justiça através da violência, isso pode ser feito com o aumento da fiscalização, bem como atualização de leis que regulam a internet ou a imprensa, especialmente a televisiva. Com isso será possível quebrar o ciclo de naturalização de comportamentos violentos disfarçados de luta por justiça, para assim possibilitar a reafirmação do compromisso com a Constituição Brasileira, que propõe uma sociedade fraterna, justa e solidária.
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