Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 29/02/2020
Violência gera violência
Com a popularização e fácil acesso as redes sociais pela grande massa, a televisão não mantém mais seu domínio como único meio de disseminar informações, porém ainda atinge um público considerável. Com esse declínio na platéia cada vez maior, emissoras de TV mantêm programas sensacionalistas que instigam o ódio, onde se apresenta mínimos detalhes desnecessários de crimes para se ganhar alguns pontos na audiência. Tudo em horários onde se possa alcançar a maior quantidade possível de espectadores.
A informação deve ser transmitida de forma clara e sem que o veículo a qual esta esteja sendo divulgado deixe seu posicionamento a mostra. Condição que não acontece na TV, onde apresentadores, principalmente de telejornais, deixam gritante sua opinião pessoal em notícias, incitando claramente o ódio e a violência em frase como ”Atira, meu filho; é bandido”. O estímulo e incentivo à justiça com as próprias mãos é feita com certeza da impunidade, pois não há uma lei que criminaliza a difusão do ódio feito pelas emissoras.
A audiência ao decorrer de um telejornal varia, há picos e declínio enquanto o programa está no ar. Para manter o telespectador fiel desde do inicio, a emissora apela para descrições de crimes horrendos, feitas nos mínimos detalhes e mostrando o máximo que o horário e a censura permite. Em muitos casos se instiga o sentimento de revolta, frisando a barbárie e a impunidade permitida por leis falhas.
Com objetivo maior de entreter e segurar o público-alvo pelo sentimento de ódio, é usado todo caso e suspeita de crime disponível. Destrinchando e explorando todos os caminhos viáveis, ocorrem equívocos juntamente com exposição de pessoas inocentes que têm suas vidas invadidas e sofrem de acusações injustas. Com receio de receberem descrédito do público, emissoras não fazem retratações destes casos deixando vítimas sem amparos e sem saber a quem recorrer.
Tendo em vista que esta incitação ao ódio acontece por impunidade e deficiência do órgão fiscalizador, leis mais justas e um olhar mais rígido nas emissoras de TV, poderiam amenizar a incitação ao ódio. Por meio de um regulamento melhor elaborado seria possível ter um jornalismo mais profissional e imparcial para a população.