Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 15/03/2020
Durante a disseminação de regimes autoritários, o crescimento exacerbado de veículos midiáticos foi expoente singular e decisivo para a sociedade, que se via cada vez mais informada acerca de seu meio social. Consequentemente, por sua extrema capacidade de convencimento, a incitação de matérias tendenciosas é recorrente, de modo a causar o estímulo de manifestações violentas que se estendem até os dias atuais, em diversas outras nações. Sob esse viés, configura-se como um impasse para a relação de direitos e deveres, além de práticas de cunho justo.
Ademais, conhecimento é sinônimo de poder. Desse modo, é possível reafirmar o peso que algumas matérias feitas pela mídia causam em parte da sociedade. Simultaneamente, surge o sentimento de autojustiça, em indivíduos que se sentem lesados ou até mesmo injustiçados por si ou pelo próximo, de modo a tomarem iniciativas violentas, em prol da resolução do impasse noticiado. Porém, tais atos não refletem as leis regidas, ao passo que simbolizam muito mais a ideia de vingança a todo custo.
Em síntese, Voltaire, pensador iluminista do século XVIII afirma que, a civilização não suprime a barbária, aperfeiçoa-a. Desse modo, é notório que a ideia de justiça acaba por ser amplamente defendida e confundida, à medida que razões para fazê-la são atribuídas a causa de forma errônea. Em prova disso, tais atitudes não devem ser encorajadas, uma vez que, ferem os direitos e deveres que um meio social preza para o bom convívio geral.
Portanto, é inquestionável a existência do sensacionalismo midiático em prol de uma maior audiência. Haja vista, é possível compreender os desvios causados por tais matérias e a urgente e indispensável necessidade de medidas plausíveis que possam evitá-las. Logo, o Ministério Público aliado ao Poder Judiciário, devem providenciar a redução de notícias com cunho incitativo, por meio de leis regulamentares mais rígidas e claras, com o apoio do Poder Legislativo em tal elaboração, a fim de punir toda ação criminosa. Dessa forma, espera-se não só uma diminuição de atos justiceiros, como também a redução da alienação causada pela mídia desde os tempos de Hitler e Stalin.