Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 09/03/2020
Segundo dados da OMS, o Brasil está entre os dez países mais violentos do mundo. O cenário é alarmante e traz à reflexão sobre o papel fundamental do Estado no combate ao crime. A sensação de insegurança pelos cidadãos é evidente. Dados do El País indicam que o brasileiro está cada vez mais disposto a investir na sua própria segurança, seja ela residencial, no seu automóvel ou evitando sair nas ruas muito tarde. O sensacionalismo midiático, por sua vez, na busca de audiência e público, colabora ao estimular o medo e a insegurança, se tornando um ambiente propício a discussão, ao debate e também, à violência.
A segurança é um dever do Estado e obrigação de toda a população. Na ausência de ações públicas mais eficientes e frente à sensação de abandono pelos governantes, os cidadãos se sentem no direito de buscar e fazer justiça com as próprias mãos. Estima-se que, por dia, uma pessoa é linchada no Brasil. Não é incomum os casos em que as pessoas são linchadas por grupos anônimos nas ruas. O agravante é perceptível quando, além da ação ser cometida por populares, ocorrer por engano ou injustamente.
As mídias vêm com um papel relevante no estímulo a este quadro. Por trás de computadores, celulares ou tablets, existem cidadãos comuns, que, por vezes, acreditam que o ambiente on line é uma “terra sem lei” e acabam destilando discursos de ódio e estimulando a violência.
As emissoras televisivas transmitem programações que banalizam e “naturalizam” a violência no país, programas estes que são apenas utilizados como “palcos” das tragédias locais. A violência gera audiência, e, consequentemente, dinheiro. Não há uma preocupação efetiva nas informações que são passadas e, por vezes, elas levam a conclusões precipitadas e irreais da situação do país, sendo assim, um meio de manipulação de massas.
As leis precisam ser mais severas e abranger todos os meios que incindem a violência, e, hoje, as redes sociais têm um grande leque para isso. O discurso de ódio paira por todos os lugares. Os justiceiros estão prontos para levantarem a bandeira em “prol” da sociedade e das pessoas do “bem”. A sociedade está diante de uma situação marginalizada pelos governantes do país.
Desta forma, a mídia pode favorecer um ambiente propício para a violência no país e trazer a tona um quadro ainda mais desastroso para os cidadãos. O papel do Estado deve ser em atuar de forma coerente com as necessidades da população. A violência não deve ser tratada como uma variável isolada, e sim, como uma fração de um todo.