Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 14/03/2020

Além do âmbito físico

A filosofa Hannah Arendt relatou em seu livro Sobre a violência, que “A violência se tornou um vício social e totalmente negada fora do âmbito físico”. Mediante essa informação, podemos afirmar que a mídia atual tem sido um vetor de uso da força, estabelecendo padrões, em grande maioria, inalcançáveis ou provocando o senso de justiça. Portanto, essa incitação vem mediante a exibição de cenas de caráter violento em momentos inadequados e também por meio de falsas informações pessoais, provocando uma violência psicológica, gerando um problema real.

A princípio, as cenas de violência e vingança tem crescido cada vez mais na televisão brasileira, aumentando um sentimento nos espectadores de desejo por abuso da força, quem assiste se coloca no lugar do protagonista e pensa em como agir por meio da força física. Ademais, programas como “Cidade Alerta”, da emissora Rede Record, apenas relata assassinatos e não há nenhuma matéria de cunho cultural ou educativo, fazendo com a população, mediante a situações do cotidiano, faça o uso da violência física. Deste modo, podemos salientar que a mídia brasileira tem sido um meio de difusão de excesso de poder e uso extremo da força, provocando problemas socioculturais.

Em segunda análise, as “fake news” são outro modo de provocar violência por meio da mídia, ao trazerem falsas informações acerca de algumas pessoas gerando problemas. Outrossim, a jornalista Caroline Flack se suicidou em fevereiro de 2019 após não aguentar mais o discurso de ódio levantado sobre ela pelos influentes tabloides britânicos. Sendo assim, é importante salientar que a mídia tem perdido seu intuito de informar o cidadão e formar opiniões próprias e tem sido um meio de difusão de violência, padrões inalcançáveis e cyberbullying.

Mediante os fatos abordados acima, é possível concluir que a mídia, principalmente a brasileira, tem criado novos valores objetivando a violência e a imposição de força e não mais sendo um meio de informação.  Visando solucionar o problema, o Ministério da Educação e Cultura, MEC, em parceria com o Instagram, rede social de maior usuários, deveriam criar um projeto dinâmico, visando minimizar os conteúdos violêntos exibidos em emissoras de tv e online, trazendo mais conteúdo de diversos tipos de culturas e também, criando minifilmes nacionais, exibidos na rede social em questão, retratando a cultura do povo brasileiro. Ocasionando então a diminuição de atos violentos por estimulo da mídia e também, uma ruptura do conceito de que o Brasil é um país violento, mas sim um país multicultural.