Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 16/04/2020
A imprensa brasileira surgiu no início do séc. XIX, mais precisamente no ano de 1808, mesmo ano da chegada da Família Real Portuguesa no Brasil, no seu princípio publicava apenas notícias favoráveis ao governo monárquico, como forma de manipular a opinião pública. Entretanto, com o passar dos anos a imprensa foi se modificando e em lugar de uma fonte de manipulação, tornou-se uma máquina de comunicação em massa, embora, tenha sido inúmeras vezes censurada e perseguida em diversos momentos da história brasileira. Nesse sentido, sabe-se que hoje a mídia brasileira possui uma força muito grande na formação de opinião, por isso é necessário entender como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos, sendo veiculando notícias de forma sensacionalista como também manipulando notícias e reportagens. Em uma primeira análise, é possível perceber que a veiculação de notícias de maneira sensacionalista é uma forma da mídia de incitar a população a cometer atos transgressores, envolvendo violência. Uma vez que, muitas reportagens são transmitidas de forma sensacionalista. Assim, quando se espera que a mídia cumpra seu papel de informar e fiscalizar a população muita das vezes acaba, em busca do lucro, por “entreter” o cidadão dando ao telespectador a capacidade de julgar, muita das vezes, suspeitos de crime que ainda não foram julgados. Dessa maneira, tal julgamento inadequado faz com que a população sinta a vontade de fazer justiça, como foi no caso de Fabiane em 2014, a qual foi linchada pela população acusada de estar praticando magia negra, sendo uma notícia falsa propagada por uma página da internet.
Ademais, é necessário que se entenda a consequência da manipulação de notícias e reportagens por parte da mídia, que acaba por formar a opinião pública, utilizando imagens e vídeos editados a fim de mostrar cenas de violência e barbaridades, resultando na estimulação do sentimento de justiça dos telespectadores. Prova disso, são os famosos “justiceiros” que cometem atos violentos, como perseguições e linchamentos coletivos com a justificativa de estar buscando a justiça que poder público não consegue prover. Tais adventos, ocorrem sobretudo com grupos usualmente discriminados e excluídos da sociedade, como menores infratores e favelados, homossexuais entre outros. Por isso a massificação dessas cenas são nocivas ao bem-estar da sociedade.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade da ação do Governo em conjunto com o Ministério da Justiça, para que se busque novas formas de combate à violência, como o aperfeiçoamento do Código Penal e aumento do policiamento nas ruas, assumindo total respeito aos Direitos Humanos, para que se mitigue a sensação de impunidade aos infratores por parte da sociedade brasileira.