Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 21/03/2020

Atos justiceiros têm alcançado grandes proporções no Brasil. A falta de credibilidade do povo para com o Estado fez com que as pessoas buscassem justiça com as próprias mãos. Essas atitudes, caracterizadas pela violência e crueldade, retiram do indivíduo alvo o direito à defesa.

Inicialmente é necessário destacar que o descontentamento público, baseado na descrença no Estado, deu origem aos justiceiros. A morosidade e burocratização da Justiça brasileira proporcionam à sociedade uma sensação de ineficácia e ausência de punição. Esse sentimento despertou nas pessoas o desejo de tomar uma atitude contra a suposta impunidade, com atos de extrema violência cometidos pelas próprias mãos, que violam os Direitos Humanos. Assim, pode-se evidenciar um grave transtorno sistema judicial, no qual originam-se os justiçamentos, que possuem como intuito atender ao clamor populacional.

De tal modo, pode-se considerar também que a mídia tem potencializado atos justiceiros, promovendo a usurpação da responsabilidade estatal para com a justiça. As redes sociais, principalmente, por meio do sensacionalismo, causam grandes repercussões vinculando imagens dos apontados como culpados. Esse cenário ocasiona a sensação de que se deve julgar e condenar o suspeito imediatamente; ademais quando o acusado não é linchado pela população, acontece de outro indivíduo ser confundido com o suspeito e ser assassinado. Desse modo, todo ser humano deve ter o direito de se defender, passando pelos processos legais.

Portanto, evidencia-se a lamentável incredulidade da sociedade na Justiça do Brasil e a sua atitude errônea em promover justiça com as próprias mãos. Diante disso, cabe ao Estado uma reformulação no seu sistema judicial, seja na contratação de mais funcionários ou na desburocratização de algumas áreas, com intuito de torná-los mais eficazes e rápidos. Ademais, o Ministério de Educação, por meio da Escola, utilizando-se de palestras e atividades lúdicas, deve fortalecer uma cultura de cidadania, com o propósito de refirmar os direitos e deveres de cada indivíduo.