Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 28/03/2020

Segundo a Constituição Federal de 1988, é garantido a todo e qualquer indivíduo o direito à segurança e à justiça.Entretanto, tal plano teórico não se aplica totalmente à realidade brasileira, uma vez que a há casos onde a mídia incita a violência e a justiça com as própria mãos.Nesse contexto, o poder público é ineficaz no que tange fiscalizar canais de comunicação e combater opiniões que infrinjam a lei, somado a um tecido social pouco empático e alienado por grandes influenciadores, dificultando a atenuação da problemática.

A priori, observa-se algumas distorções governamentais no cumprimento de seus deveres e, especificamente, em reprovar a disseminação de opiniões criminosas.Nesse contexto, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, no Contrato Social, o indivíduo abre mão de parte de suas liberdades e delega funções ao Estado, a fim de atingir o equilíbrio social.Sob essa perspectiva, o governo falha à medida que não impede que jornais e influenciadores digitais transmitam pontos de vista inconstitucionais, como buscar vingança contra assassinos ou sonegar impostos.Logo, a carência de punições contra essas atitudes levam à alienação das camadas populares, que acabam cometendo crimes, em certas ocasiões, bárbaros, devido a impunidade desses canais de comunicação.

A posteriori, fica evidente a falta de empatia do atual tecido social com relação a pessoas que, principalmente, tenham cometido algum crime em sua vida.Nesse ínterim, de acordo com a  filósofa Hanna Arendt, os indivíduos de uma sociedade, por ausência de senso crítico, podem estabelecer a negação do outro e de si mesmo.Nessa conjuntura, os meio sociais, já alienados por jornais e influenciadores digitais com opiniões distorcidas e criminosas, tornam-se cade vez mais apáticos e perdem a capacidade de julgar criticamente os reais problemas, como a educação banalizada, a corrupção e a má distribuição de renda.Por conseguinte, a população adota um comportamento que não nega ou até apoia atrocidades, como a pena capital para criminosos, em busca de uma falsa sensação  de justiça e equilíbrio social.

Dessa forma, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática.Destarte, cabe ao Governo Federal fiscalizar jornais e influenciadores digitas, por meio da contratação de profissionais da área da informática, os quais irão desenvolver um algoritmo que relacione palavras-chave a opiniões de indivíduos que incitem a violência, com o intuito de facilitar a identificação e punição desses.Somado a isso, o Estado deve financiar as mídias digitais na criação de projetos e campanhas que visem alertar sobre as consequências de se fazer justiça com as próprias mãos e, consequentemente, fomentar o senso crítico da população.