Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 13/05/2020
No Brasil, é recorrente a mentalidade de se fazer justiça por meio da violência, sendo essa, muitas vezes, exacerbada nos seriados televisivos ,por exemplo. Esse cenário de retrocesso à barbárie exige um maior empenho de setores da sociedade civil e do poder público para ser combatido.
De fato, em meio à sociedade é vigente uma conduta de insatisfação com o sistema judiciário brasileiro, uma vez que este é ineficaz e insuficiente na opinião de muitos indivíduos. Dessa maneira, gerando um ambiente propício à violência, a exemplo do ocorrido na Zona Leste de Manaus, em que um assaltante foi espancado e apedrejado até a morte, informações do emtempo.com, esse tipo de acontecimento, muitas vezes, é até gravado e circula nas redes sociais, sendo incentivado pelas pessoas que recebem o vídeo, as quais concordam com aquela errônea ação por acharem que é a única forma de justiça, visto que o judiciário é ineficiente.
Ademais, a população, majoritariamente, não tem uma formação intelectual adequada, assim, havendo uma geração de indivíduos ausentes de senso crítico, os quais serão propícios a cometerem atos sem a medição de consequências. Sob esse viés, ainda há outro agravante, que são as séries televisivas, as quais muitas fomentam a vingança como um ato corriqueiro, a exemplo da série peaky blinders, na qual um conjunto de gangsters praticam assassinatos, como forma de justiça, diariamente. Dessa forma, influenciando fortemente uma mentalidade agressiva naqueles que não sabem difundir o real do fictício.
Portanto, é de vital importância que as instituições formadoras de opinião, como escolas, famílias e igrejas, fomentem uma cultura de justiça legalizada em detrimento da vingança feita pelas próprias mãos, por intermédio de palestras educacionais e diálogos familiares, em prol de uma sociedade mais harmônica e com menos violência. Acresça-se, ainda, a necessidade de o Poder Judiciário disponha de maiores recursos governamentais, com o intuito de potencializar as punições jurídicas.