Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 04/04/2020
Na série britânica, Black Mirror, na temporada 3, tem um episódio intitulado: odiados pela nação. Nele, é retratada a história, de um homem, que incita a “caçada” de algumas pessoas. O estímulo ocorre, quando ele expõe nas redes sociais, alguma atitude reprovada socialmente, que esse indivíduo tenha praticado. Isso gera revolta coletiva, que leva à procura do sujeito estigmatizado. A partir disso, podemos refletir a responsabilidade da mídia, como formadora de opinião.
À priori, os meios de comunicação, precisam chamar a atenção do seu público, uma vez que, ela se mantém do que é consumido por seus usuários. É nesse quesito, que algumas plataformas midiáticas, lançam mão, do todo e qualquer artifício, que tenha o condão de manter a sociedade focada em sua transmissão. Porém, esses mecanismos, nem sempre serão positivos e ponderados.
Ademais, o bom uso da retórica utilizada pelos meios de difusão de informações, é capaz de influenciar as pessoas, a aderir qualquer linha de raciocínio. Um exemplo, está nas páginas do livro Fahrenheit 451, quando os telões das casas, transmite a perseguição ao personagem Montang, pedindo que a comunidade reconheça o rosto dele, para também ajudar procurá-lo, e as pessoas obedeciam, sem ao menos compreender o motivo.
Com base, em todo o exposto, a criação de um conselho nacional, por profissionais da mídia, com a finalidade de orientar o trabalho dos formadores de opinião, impondo sanções, quando suas diretrizes forem descumpridas. A existência de um orgão fiscalizador, inibiria as práticas irresponsáveis na produção de conteúdo informativo. Sendo também necessário, a atuação dos orgãos da educação, a exemplo do MEC, que projete uma grade currícular, principalmente na educação básica e fundamental, voltada para um aprendizado crítico, inclusive, inserindo matérias básicas do direito, como Direito Constitucional. Só assim, teriamos uma sociedade mais consciente, e uma mídia mais responsável.