Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 11/04/2020
Com o avanço das tecnologias da informação, o controle da opinião pública e os rumos do país estão nas mãos da imprensa e da publicidade. Porém, os casos de maior repercussão e que favorecem a audiência envolvem e incitam a violência. Nesse sentido, a divulgação excessiva desses acontecimentos gera um efeito contrário e catastrófico.
Deve-se pontuar, de início, que a mídia retrata os acontecimentos que envolvem crimes de maneira parcial, defendendo a impunidade. Desse modo, jovens que vivem em situação de vulnerabilidade social, sem remuneração e sem perspectiva de futuro acabam entrando para o crime por acreditar que é mais fácil sobreviver a partir disso do que ser preso. Consequentemente, a violência aumenta, é divulgada pelos meios de comunicação e atinge outras pessoas, isso gera um efeito cascata extremamente nocivo.
Outrossim, a filósofa Hannah Arendt criou a expressão Banalidade do Mal, ou seja, quando um comportamento agressivo ocorre constantemente, as pessoas param de vê-lo como errado. Diante disso, o modo como a imprensa retrata os casos de justiça feita com as próprias mãos pode influenciar atitudes de apoio a essa forma de violência, principalmente em áreas carentes da presença do estado. Logo, noticiar agressões nos centros urbanos de maneira sensacionalista gera um ambiente cultural que legitima os linchamentos e a criação de justiceiros.
Em suma, a mídia tem grande poder de influência na vida das pessoas e pode incitar condutas negativas de diversas formas. Portanto, o Ministério Público Federal deve punir qualquer veículo de comunicação que apresente um conteúdo que estimule a agressividade ou que defenda a impunidade, por meio da suspensão da exibição ou pagamento de altas multas, com a substituição por outro programa em caso de não cumprimento. Dessa forma, as notícias serão exibidas com o intuito de informar, e não para fomentar a violência.