Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 06/04/2020
No Brasil, há vários casos em que pessoas são acusadas de forma leviana de serem criminosos, gays, portadores do vírus do HIV, estupradores e, em muitos casos, a política suja também se utiliza dessa onda de boataria para enganar milhares de pessoas e assassinar reputações. É o caso do boato que corre solto na internet que afirma que o filho do ex-presidente Lula seja dono da Friboi, empresa do ramo alimentício.
Por outro lado, a incitação à violência por parte dos chamados “justiceiros” não é exclusividade da internet. A imprensa tem um papel fundamental de trazer informação à sociedade e possui concessão pública para prestar esse serviço, mas o que vemos hoje em dia é uma onda sensacionalista em busca de audiência que acaba incentivando o sentimento de revolta e a tomada de iniciativa para que populares façam o que acharem justo e defenderem-se atacando.Apesar desse tipo de justiça ser considerado crime, frequentemente pessoas se submetem à situações de risco pois desacreditam no potencial da polícia local, julgando necessária a imediata reação, muitas vezes sem pensar na possibilidade de ter como consequência a morte de inocentes.
Sem citar nomes, há vários casos de âncoras de programas de rádio e televisão, jornalistas de revistas e jornais, além de blogueiros de grandes sites brasileiros que estimulam uma reação coletiva contra as leis e o Estado de Direito. É necessário que haja uma punição exemplar para quem incita ao crime e para isso uma lei que regule o que pode e não pode ser propagado nos meios de comunicação de massa deste país.