Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 07/04/2020
Fundado durante o Regime Militar brasileiro, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) teve um papel fundamental na fomentação de uma imagem favorável do governo a partir do aparato midiático. Tal manipulação social, com a modernização dos canais de comunicação, persiste até a hodiernidade, sendo relevante ressaltar a influência desse maior fluxo de informações na conduta da população, visto que atos de hostilidade são propagados sem restrição no ambiente virtual, além da banalização de práticas agressivas recorrente no meio televisivo, panorama que resulta na disseminação da violência.
Concernente à temática dos conteúdos sensíveis transmitidos pela internet, é notório a pouca restrição no acesso desses. Essa premissa evidencia-se em exemplos de auto agressão, como o jogo digital ¨Baleia Azul¨ que foi alvo de investigações em 2015, pelo número de vitimas de suicídio, haja vista o recrutamento de usuários para práticas autodestrutivas, isto é, a incitação da violência própria com o intuito de repercutir no meio ¨online¨, sendo tal problemática auxiliada pela facilidade que indivíduos, independente da idade, têm contato com esses tópicos. Esse cenário promove uma alienação de uma parcela social pela mídia no sentido de executar atos de brutalidade, tanto em maleficio pessoal como de outrem e , desse modo, é preocupante a interferência da internet na formação do usuário.
Ademais, a propagação desmedida de atos violentos em reportagens e pronunciamentos antiéticos de âncoras retrata o quadro de muitos jornais televisivos. Essa assertiva é presente em programas denominados ¨policialescos¨ que veiculam casos policiais de forma sensacionalista para o entretenimento do público alvo, explorando de modo natural casos de justiçamento com as próprias mãos, o que caracteriza tal conduta como legítima, indo de encontro ao defendido pela Constituição Federal brasileira por tornar acessível discursos de ódio à população, impactando principalmente em crianças que ainda se encontram em período de desenvolvimento.
Portanto, é imprescindível a ação da família e das instituições educativas na mitigação desse efeito dos canais de comunicação no comportamento social. Para tanto, a família tem um papel fundamental na orientação dos jovens com o uso consciente da internet, mediante o diálogo em casa, com o intuito de combater a manipulação de usuários por atividades agressivas. Outrossim, o Ministério da Educação deve exigir o ensino de princípios éticos e morais, por meio de matérias sociais e palestras escolares, com o intuito de garantir a formação de estudantes que não sejam passivos quanto as informações transmitidas pela mídia atual. Logo, a alienação da sociedade pelos meios de comunicação no período do Regime Militar no Brasil irão, gradualmente, divergir do papel desses na contemporaneidade.