Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 27/04/2020

Na obra “Do contrato Social”, de Jean Jacques Rousseau, os cidadãos abrem mão de certas demandas individuais afim de obterem vantagens da ordem social, visando a construção de uma sociedade mais estável. Conquanto, a inflamação irresponsável de ânimos populares por parte da mídia muitas vezes impossibilita que a população desfrute, na prática, dessas vantagens. Nessa perspectiva, o desafio da demanda por  justiça com as próprias mãos, encorajada pela mídia, deve ser superado a fim de alcançar uma sociedade mais justa e igualitária.

Os ideais democráticos são considerados pilares em sociedades igualitárias e abertas ao diálogo. Assim sendo, seria de se esperar que, no Brasil, após mais de trinta anos do exercício da cidadania, a ideia de justiça social fosse mais pautada nas leis e códigos da constituição do que na subjetividade. Contudo, a falta de confiança no poder de polícia para garantir o direito universal à justiça é claramente explorado pela mídia, que se beneficia dessa realidade ao incitar o exercício da justiça com as próprias mãos, atraindo a atenção do telespectador.

Faz-se necessário, ainda, salientar a alienação de uma parcela da sociedade de seus direitos e deveres como impulsionador da adoção de um viés tendencioso pela mídia. Afinal de contas, em um pais onde cerca de quarenta e nove por cento da população, segundo IBGE, não possuem o ensino fundamental completo, noções de igualdade social e justiça integral parecem distantes. Isso permite que a mídia crie uma noção conveniente desses tópicos a seu favor.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir um exercício pleno da justiça constitucional, ignorando noções individuais e tendenciosas. Desse maneira, o estado deve agir coibindo manifestações inconstitucionais que insultem o direito universal de julgamento, aplicando multas e processando os responsáveis. Além disso, deve-se, em parceria com as instituições de ensino,  introduzir noções de direitos e deveres do cidadão nos primeiros anos escolares.