Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 09/04/2020

O livro “1984”, de George Orwell, retrata um futuro distópico  em que uma das festividade é a semana do ódio- na qual a mídia e o próprio Governo incitam a violência. Paralelamente, na realidade brasileira, as redes midiáticas também são capazes de incentivar a ira da população, levando algumas pessoas a cometerem crimes de ódio e fazerem justiça com as próprias mãos. Esses comportamentos são estimulados, principalmente, por falas problemáticas de figuras públicas e pela rápida e incessante divulgação de notícias com conteúdo violento. Desse modo, cabe analisar os impactos que essas ações tem na sociedade para que seja possível minimizar suas consequências.

Primeiramente, falas problemáticas, como: “bandido bom é bandido morto”, ditas por repórteres, apresentadores e outras figuras públicas podem incentivar um cidadão comum a se tornar um justiceiro. Isso ocorre porque, muitas vezes, essas pessoas acreditam que a justiça não está cumprindo sua função e que as punições para os criminosos são muito brandas. E, dessa maneira, quando percebem que seu senso de justiça e vingança é similar ao das pessoas que estão na mídia, se sentem motivados a cometer um crime para vingar outro crime, perpetuando um ciclo de violência e incitação ao ódio. Assim, é importante que sejam tomadas atitudes que que rompam com esse ciclo.

Além disso, a constante veiculação de notícias sobre atitudes violentas faz a população normalizar essas condutas criminosas. Essa afirmação é respaldada pela teoria da “Banalização do mal”, nessa, a filósofa Hannah  Arendt afirma que uma atitude agressiva se torna banal quando é repetida diversas vezes. Com isso, entende-se que, por serem altamente propagadas, as ações violentas perderam seu impacto e ,algumas vezes, podem incentivar alguém a cometer algum crime por acreditar que essas atitudes são normais e aceitáveis. Por isso, devem existir ações que inibam essa normalização do mal.

Portanto, é necessário que sejam tomadas as medidas cabíveis para minimizar as ações que incitam a violência. Para tanto, as mídias públicas devem repreender e punir os influenciadores, tanto digitais quanto televisivos, que tiverem falas problemáticas que incitem o crime de justiça com as próprias mãos. Além disso, a Secretaria Especial de Comunicação juntamente com o Ministério da Cidadania devem, por meio da veiculação de propagandas, estimular ações de gentileza; essas campanhas podem, por exemplo, contar a história de diversas ONG’s a fim de comover e mostrar para a população que as ações violentas não são as mais recorrentes na sociedade atual e que ainda é possível praticar atos de simpatia. Dessa forma, será possível romper o ciclo da “banalização do mal” descrito por Hannah Arendt.