Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 17/04/2020

Há muitas décadas o Brasil enfrenta dificuldades para lidar com revoltas e vinganças disfarçadas de justiça, como pessoas que foram espancadas até a morte, apenas pela suspeita de um crime. Hoje, a internet amplia esse cenário, sendo o maior e mais direto meio de acesso à informação, com as redes sociais e os milhares de sites de jornais, percebe-se um aumento do desejo de ser o primeiro a divulgar uma notícia, seja ela concreta ou não. Essa notícia mal divulgada ou incompleta, pode gerar consequencias fatais.

Existe uma linha tenue entre fornecer informação e incitar violência. Existem centenas de casos de crimes, muitas vezes notórios, que quando divulgados de forma tendenciosa, levaram ao assassinato do suspeito, que em sua maioria, é inocentado tarde demais - considerando que as investigações tem mais de um suspeito antes de ser finalizada. Um fator junto a esse, é o leitor que após ler a notícia o considera culpado e compartilha em suas redes sociais. Dessa forma, mesmo que o jornal retire a notícia sensacionalista, a informação ja está espalhada e não existe punição para os atos citados.

O Marco Civil, em vigor desde 2014, é a lei que regulamenta o uso da internet, porém na prática tem se mostrado insuficiente pela falta de punições e consequências diretas quando violada. Junto á isso, a lentidão e descrença da população no sistema judiciário  e na polícia, provocam uma reação defensiva, o linchamento, que nao é considerado crime pelo Codigo Penal. Ainda, somando os fatores citados as notícias tendenciosas, cria-se a ideia de que o criminoso ou possível criminoso é o problema final, logo basta elimina-lo para que a violência acabe.

Em sintese, é necessário que a lei do Marco Civil seja amplamente analisada quanto a sua eficiencia, pois a internet como fator determinante em vários aspectos, precisa de leis e punições específicas. Também, uma mudança no sistema de realização dos procedimentos judiciários com intuito de diminuir a lentidão e o trafego dos processos, promovendo a segurança. E, para evitar o agravamento da situação, é necessário também uma evolução do ponto de vista ético e moral, tanto do cidadão como leitor quanto do ramo jornalístico.