Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 13/04/2020

É inegável que a cobertura midiática tem ampla influência acerca do julgamento da população e pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos. Certamente, programas que incentivam o punitivismo, reforçam esteriótipos relativos à criminalidade e evidenciam narrativas parciais e sensacionalistas, detendo influência também em decisões judiciais, são protagonistas na contribuição à perpetuação desse cenário. Logo, cabe ao Poder Público promover medidas que visem sensibilizar a população acerca da violência e linchamento social.

É importante pontuar, de início, que o punitivismo incitado pela mídia é extremamente nocivo pois perpetua diversas práticas prejudiciais à sociedade. Por exemplo, tem-se os programas: Polícia 24 Horas, Brasil Urgente, Cidade Alerta e Operação de Risco, que de acordo com o Guia de Monitoramento de Direitos da Mídia Brasileira, incitam a violência, a desobediência, fazem exposição indevida de jovens, crianças e famílias, propagam discurso de ódio, racismo, machismo e legitimam a violência e o abuso policial. Nesse sentido, programas assim, contam histórias individuais a partir de um único ponto de vista — o ponto de vista das autoridades — perpetuando um comportamento punistivista e unilateral, podendo, dessa forma, incentivar linchamentos e o comportamento violento na população.

Vale ressaltar, também, que a mídia tem ampla influência sobre questões judiciais. À luz de prisões sendo decretadas influenciadas pela mídia com a justificativa de clamor social e garantia da ordem pública, contribuindo não apenas para prisões injustas como também para o inchaço do sistema carcerário brasileiro, que chega, atualmente a números exorbitantes — uma taxa de superlotação carcerária de 166% segundo o estudo “Sistema Prisional em Números” —  existindo casos até mesmo os quais a pena decretada é um período menor ao que o recluso fora obrigado a aguardar em prisão preventiva. Nessa perspectiva, pouco importa os desejos da vítima, as características dos culpado ou as circunstâncias sociais que um crime ocorreu e o porquê. Desse modo, a mídia incita diretamente o comportamento violento em parte da população, que pode posteriormente, ser encorajada por esse contexto temeroso a praticar linchamento, por exemplo.

Portanto, percebe-se que existe uma influência prejudicial da mídia sobre a população. Em suma, cabe ao Ministério da Educação implementar medidas que visem a criação de senso crítico e solidariedade coletiva na população, por meio de palestras, que deverão ser ministradas em escolas à pais e alunos. Afim de sensibilizar os indivíduos acerca da violência e do julgamento premeditado. Cabe mencionar, também, a necessidade de uma mídia menos sensacionalista e mais imparcial. Somente assim, poderá ser instaurado um ambiente mais seguro a todos no Brasil.