Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 22/10/2020

Durante a colonização brasileira, o primeiro caso de linchamento foi registrado, no qual, um índio foi agredido por integrantes de sua tribo acusado de messianismo. Nesse sentido, a prática da justiça com as próprias mãos é histórica e persiste devido a influência midiática. Desta forma, situações como a indução do sobre a índole da pessoa e a ênfase na morosidade policial são problemáticas que precisam ser solucionadas.

A princípio, vale destacar o papel influenciador da mídia em casos de violência. Geralmente, ao relatar um caso, jornais, revistas e até redes sociais constroem a notícia com argumentos que vão estimular o espectador a uma opinião negativa da pessoa. Dessa maneira, enfatizar o local onde mora, sua condição financeira, fotos e questões judiciais, contribuem para que o ouvinte se revolte e pratique atos de violência. A exemplo pode-se citar o caso da “Mulher do Guarujá”, em que uma mãe foi linchada até a morte após ser confundida, em uma postagem nas redes sociais, com uma aliciadora infantil que praticava atos de magia negra.    Outrossim, a construção de uma visão negativa da polícia é um fator a ser analisado. Como as ocorrências precisam de um prazo para a sua conclusão, de forma racional e científica, a demora para os resultados é esperada. Contudo, ao enfatizar tal demora a mídia colabora para uma  perspectiva de comodismo da polícia e incita, muitas vezes, que a própria população resolva. Segundo dados do Data Folha, cerca de 51% dos brasileiros não confiam na polícia, o que reforça essa visão social.

Portanto, para que essa situação histórica não continue é necessário combatê-la. Sendo assim, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em conjunto com as instituições de ensino, deve promover semanas de debate sobre o papel dos órgãos de segurança no país, por meio de testemunho de policiais e investigadores, como realizam o seu trabalho e como se tornar mais crítico às notícias veiculadas na mídia, a fim de gerar confiança da população com a polícia e senso crítico em alunos e familiares. Pois, nas palavras de Weber “Só cabe ao Estado o monopólio legítimo da força”.