Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 14/04/2020

Blaise Paschal, memorável e notório matemático, já afirmava: “O afeto ou o ódio mudam a face da justiça”. Nota-se a partir desse excerto o quanto as ações humanas podem influenciar a justiça. Portanto, em um lugar onde tal elemento deveria ser neutro e isento de tendências e nuances, logo cede lugar à parcialidade, e consequentemente à injustiça. Por isso, deve-se combater a parcialidade ou qualquer outra coisa que venha assumir caráter de parcialidade que venha a assumir a aparência de justiça.

Antes de tudo, o julgamento imparcial é uma das bases da civilidade, uma que deve ser zelada. Francesco Carnelutti, renomado e eminente jurista, em seu livro “Misérias do Processo Penal” afirma que ,em vários casos, quando estes se tornam populares, a justiça tende à ficar ao lado que lhe convém em razão de pressões e agentes externos, se tornando portando parcial, e dentre os principais culpados estão a imprensa. Dessa forma, a mídia sempre tem alguma culpa, em casos notórios.

De igual modo, a justiça desregulada e pessoal, também assume face de justiça, mesmo não o sendo. Na série “O Justiceiro”, vemos o personagem principal, Frank Castle, assumir o papel de um justiceiro selvático, impessoal e homicida, que em razão de seu senso de justiça, mata criminosos, abusando da violência e tortura. Tal personagem reflete totalmente o contrário dos direitos humanos, ao constituir-se como tribunal, juiz e júri. Dessa forma proteger a justiça também é proteger os direitos individuais, e constitui um dever moral

Destarte, torna-se notável a necessidade de mudança no âmbito jurídico e popular. Cabe ao Ministério da Justiça, através da conscientização, imputar senso de responsabilidade nos grandes veículos midiáticos com o fim de terem o mínimo de interferência, afinal, pressão popular também é justiça com as próprias mãos. Igualmente, cabe à sociedade educar-se sobre os direitos humanos através da literatura jurídica, para que não cometa linchamentos ou quaisquer tipos de atitudes abusivas contra réus. Dessa forma, cumpriremos o nosso dever moral para com o próximo e a justiça