Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 14/04/2020

Em 1924, Joseph Goebbels foi admitido como ministro da propaganda no governo nazista de Adolf Hitler. Um dos mecanismos usados por Joseph para alienar a nação era a produção de filmes, onde ele estimulava o preconceito étnico, a xenofobia, o patriotismo e o heroísmo, condenando os judeus, onde alegava que eram culpados de acumular riquezas, explorando o povo. Embora a Alemanha Nazista tenha deixado de existir a mais de 20 anos, ainda é possível vizualizar a facilidade de se encontrar discursos de ódio e o número absurdo de fake news nos meios de comunicação, que atuam como incentivo para o aumento da violência.

Primeiramente, nota-se que mídia e outros meios de comunicação são mecanismos que - por meio da facilidade proporcionada de se expressar a própria opinião - colaboram para a disseminação de discursos de ódio. Exemplo disso foi a caso da socialite Day McCarthy, que em 2017, fez uma gravação caseira proferindo xingamentos racistas a filha adotada por um casal de atores brasileiros. Partindo disso, é fato que muitos indivíduos, ao propagar ódio em qualquer meio de difusão de informação, resguadam esse ato em seu direito à liberdade de expressão, provido a eles pela Constituição de 1988, colaborando para que não haja justiça para com esses casos.

Por conseguinte, é importante ressaltar como as notícias falsas ameaçam a segurança do ser humano no conjunto social. Como foi o caso da dona de casa Fabiana Maria de Jesus, em 2014, que morreu após ser amarrada e agredida por dezenas de pessoas, incentivadas por boatos falsos e um retrato falado de uma possível praticante de magia negra com crianças publicados em uma rede social, levando a senhora a ser confundida com a tal mulher e se tornar mais uma vítima de linchamento. O número de linchamentos vem aumentado de maneira consideravel hodiernamente, e, segundo o pesquisador José de Souza Martins, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), isso é  um sinal, da desorganização social que o linchamento expressa.

Dessarte, é mister a ação do Estado para a possível resolução do problema. Para a diminuição de discursos de ódio no conjunto de meios de comunicação, urge que o Ministério Público puna de maneira justa aqueles que espalham tais discursos, criando leis que resguardem às vítimas de tais casos. Só assim, será possível a contrução de uma sociedade com mais igualdade, que tenha sim o direito de expressar a própia opinião onde bem entender, contanto que nenhuma classe seja oprimida por isso.