Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 15/04/2020
Na história em quadrinhos “O Demolidor”, o personagem principal sofre com a perda de seu pai, que fora assassinado, e busca vingança contra os criminosos. Fora da ficção, a violência é um retrato presente na sociedade desde os primeiros registros humanos. Entretanto, com o desenvolvimento dos meios de comunicação, é lícito afirmar que mídia tornou-se uma das vertentes de influência para a violência urbana - tal como a justiça com as próprias mãos - através da disseminação de fake news e a superexposição da violência nos meios de informação.
Em primeiro plano, evidencia-se que o uso da violência em busca de justiça deve-se a grande propagação de fake news nas redes sociais, o que incita o ódio popular. Segundo Friedrich Nietzsche, em “Genealogia da Moral”, a vontade de justiça social é um dos fatores para a prática de ações agressivas pela população, que se colocam na posição de juízes. Do mesmo modo, discursos moralistas seguidos de falsas notícias geram o inconformismo de pessoas e, por conseguinte, ações criminosas por parte dos mesmos. Tal lógica é comprovada através da morte injusta de Fabiane de Jesus, vítima de linchamento após boatos sobre a prática de magia negra pela mesma terem sido espalhados nas redes socias. Logo, a difusão de fake news contribui para a ocorrência de justiça com as próprias mãos e aumento da violência no meio urbano.
Em segunda análise, é necessário pontuar a transmissão de conteúdos violentos por parte dos veículos de comunicação como um dos fatores de influência nas ações populares que, consequentemente, normalizam essas façanhas no meio social. Conforme o psicólogo Cristiano Nabuco, a exposição repetitiva da mente à notícias ruins e ações agressivas ocasiona a tolerância humana aos fatos apresentados. Tal problemática foi demonstrada durante o governo de Hitler na Alemanha, já que a propagação dos ideais totalitários manipularam a perpecepção social das pessoas, que viam determinadas opiniões como algo comum. Portanto, essa situação estende-se na mídia através de opiniões e exposição exacerbada de crimes hediondos, tanto em jornais sensacionalistas como nas redes sociais, que provocam a banalização da violência e normalizam os atos de justiça aplicados pelos indivíduos por ordem própria.
Dessarte, é necessário que medidas sejam tomadas para amenizar a disseminação de fake news e a superexposição da violência. Cabe, então, ao Ministério da Justiça promover, por meio de verbas, ações de segurança mais eficazes para a população, a fim de garantir proteção e confiança. Por outro lado, também deve, por meio de campanhas, buscar aplacar a proliferação de notícias falsas, para que os usuários possam navegar nas redes sociais com mais segurança de informações.